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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 522

Bruna sentia que ia sufocar.

Bastava se lembrar das palavras que Isabela acabara de dizer para o ar desaparecer dos seus pulmões.

— Mãe, o que foi? Por que você está tão pálida? O que ela disse quando viu você? — Perguntou Taís.

Pouco antes, ao descobrir que Isabela queria ficar com tudo, Bruna, tomada pela revolta, tinha ido atrás dela.

Agora voltava naquele estado, com o rosto sem cor. Era óbvio que Isabela tinha dito alguma coisa terrível.

Taís também estava furiosa.

Isabela queria até o dinheiro dela. Tinha dito que queria todo o patrimônio da família Pereira, o dinheiro de cada um deles.

Como alguém podia ser tão gananciosa?

Até num divórcio os bens eram divididos. Mas Isabela não queria apenas ignorar a partilha do casamento, queria arrancar também o que pertencia aos outros membros da família Pereira.

Era a primeira vez que Taís via alguém com uma ambição tão desmedida.

As mãos de Bruna estavam tão geladas que chegavam a doer. Tremendo, ela ergueu os olhos para Taís.

— Sou eu a raiz de todo esse pecado? Sou eu a culpada por a família Pereira ter chegado a esse ponto?

No instante em que disse aquilo, seus olhos se tingiram de vermelho.

Taís ficou paralisada por um momento.

— O quê?

Bruna continuou, com a voz trêmula:

— A família Pereira ter acabado assim... foi tudo por minha causa? A culpa é minha?

— Não. Foi isso que Isabela disse para você?

Aquela desgraçada... Que tipo de absurdo era aquele?

Era ela quem não tinha moral nem escrúpulos, mas agora ainda queria jogar toda a própria maldade nas costas dos outros.

Ao ver Bruna naquele estado, consumida pela culpa, Taís sentiu o coração apertar.

Lágrimas escorreram pelo rosto de Bruna.

— Talvez tenha sido mesmo por minha causa... Se não fosse por mim, ela e o seu irmão ainda estariam bem. E, se os dois estivessem bem, nada teria chegado a esse ponto.

Diante da convicção cruel com que Isabela tinha dito cada uma daquelas palavras, Bruna começava, enfim, a acreditar que tudo tinha terminado daquele jeito por culpa dela.

— Mãe, não foi isso. Ela é gananciosa e só arranjou a desculpa perfeita para justificar o que está fazendo. — Rebateu Taís.

— Não... Foi por minha causa, sim. Olha o que eu fiz no passado... Olha o que eu pensei. Eu ainda quis juntar Lílian com o seu irmão... Aquela desgraçada.

Agora, sempre que falava de Lílian, Bruna sentia nojo de si mesma por um dia ter alimentado aquele tipo de ideia.

Ainda bem que aquilo não tinha acontecido.

Se Cristiano realmente tivesse ficado com Lílian, só de imaginar Bruna já sentia o estômago embrulhar.

Ao ouvir o nome de Lílian, a expressão de Taís também escureceu.

Fingir.

Sim, Lílian sabia fingir.

Fingiu tão bem que enganou todas elas.

Naquele momento, tanto Bruna quanto Taís foram obrigadas a admitir que Lílian sempre soubera representar muito bem.

Sabia fingir diante delas.

Sabia fingir diante de Marcos.

E, depois, fingira ainda melhor diante de Cristiano.

Foi justamente por saber disfarçar tão bem...

Que elas acabaram ficando ao lado dela, uma vez após a outra.

— Agora, o que eu mais queria era matar essa mulher. — Disse Bruna, tomada pelo ódio.

Sempre que pensava que Marcos tinha morrido por causa de Lílian, sentia vontade de arrancar a vida dela com as próprias mãos.

Taís, porém, retrucou:

— Matar ela pra quê? Ela já não está recebendo o castigo que merece?

— Castigo?

— Meu irmão com certeza está investigando ela e Marcelo. E, depois disso, também não vai deixar Marcelo escapar. Marcelo ainda acha que vai ter uma vida boa daqui pra frente? E você acha mesmo que, quando a situação apertar, ele vai continuar tratando Lílian bem?

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