Não importava quantas armadilhas elas estivessem preparando.
Tudo só teria efeito se Isabela realmente fosse parar na cadeia.
E esse era o ponto.
Elas provavelmente nunca teriam essa chance.
Karine cruzou os braços, indignada.
— Elas ainda acham que você é aquela garota que saiu do orfanato ontem, que podia ser pisada do jeito que quisessem.
Não era exatamente assim que a família Pereira agia?
Como se Isabela ainda fosse alguém sem raízes, sem apoio, fácil de esmagar.
Isabela deu de ombros, tranquila.
— É que elas ainda não fazem ideia de como a minha situação mudou.
Karine ficou em silêncio.
Era verdade.
A família Pereira inteira não sabia que Isabela tinha um irmão biológico.
Muito menos que tinha um pai.
E menos ainda que, na prática, ela era a princesa do Grupo Hoglay, herdeira de metade do império do homem mais rico do mundo.
No Grupo Pereira.
Taís aguardava do lado de fora da sala de recepção.
O pessoal da secretaria também não tinha ido embora. Ninguém ousava sair enquanto elas ainda estavam ali.
Com exceção de Thiago.
Deu o horário, ele simplesmente se levantou e foi embora.
Sem se importar com a regra implícita de que, se o chefe não saía, ninguém saía.
Mas, naquele momento, ninguém tinha cabeça para implicar com um funcionário qualquer.
A prioridade era outra.
Isabela.
Assim que a porta da sala de recepção se abriu, Taís avançou.
— Mãe, o que foi? O que aconteceu?
Minutos antes, o rosto de Cristiano estava fechado, sombrio. Ela nem tivera coragem de perguntar nada.
Bruna entrara na sala e batera a porta com força.
Logo depois, vozes alteradas.
Discussão.
Taís, claro, não ousara interromper.
Bruna lançou um olhar rápido para a filha, mas ignorou a pergunta.
— Seu irmão ainda tá aí?
A ligação com Isabela tinha sido como despejar gasolina na própria pressão arterial. Uma hora inteira sendo provocada.
E até agora aquele nó no peito não tinha se desfeito.
Aquela mulher tinha o dom de irritar.
Mas tudo bem.
Bastava lembrar que, quando estivesse presa, não conseguiria gastar um centavo sequer daqueles bilhões, e o humor de Bruna melhorava na hora.
Taís assentiu.
— Ele não saiu do escritório.
Bruna respirou fundo.
Sem resultado.
Sem mérito.
Pelo menos era assim que Bruna enxergava.
E agora queria levar uma fortuna.
Com aquela postura arrogante de exigir metade.
Que mantivesse a arrogância na prisão, se conseguisse.
Cristiano ergueu os olhos ao ouvir o tom dela.
— O que você disse?
— Eu disse: assina. — Bruna repetiu, ainda mais dura.
Essa desgraça precisava se divorciar de Cristiano antes de ir para a prisão.
Caso contrário, sempre que alguém mencionasse o nome dela, o da família Pereira viria junto.
Bruna já estava farta disso.
Farta de que, toda vez que falavam daquela mulher, o sobrenome Pereira viesse no mesmo pacote.
Ela não queria mais nenhum vínculo.
Nenhum.
Cristiano soltou uma risada curta, sem humor.
— Ela quer uma quantia alta. E você aceitou?
— Aceitei. Aceitei tudo. — Bruna respondeu, impaciente.
No fundo, para ela, pouco importava.
Isabela não teria tempo, nem liberdade, para gastar um único centavo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...