Se dissesse, antes, que Isabela tinha contratado um advogado internacional, Bruna teria rido na cara da pessoa.
Jamais acreditaria.
Mas agora…
Agora acreditava.
Afinal, havia Sérgio por trás.
E Deus sabia o que tinha dado naquele homem, que parafuso tinha se soltado para ele proteger aquela desgraçada daquele jeito.
Tudo bem.
Que o divórcio saísse logo.
Depois que estivesse oficialmente separado, ela queria ver se os velhos da família Cardoso continuariam tão serenos assim.
Quando começassem a se desesperar, será que Isabela ainda teria dias tranquilos?
Bruna fechou os olhos por um instante, os dentes cerrados.
— Amanhã, às nove da manhã. Vá até a recepção do hospital buscar.
Ela não queria Isabela pisando outra vez na casa da família Pereira.
O acordo de divórcio, já assinado, seria deixado diretamente na recepção do hospital.
Ela tinha cedido.
Engolira o orgulho e aceitara aquela exigência absurda.
Mas, no fundo, sempre quisera a mesma coisa:
Que Isabela desaparecesse da família Pereira.
Não fora assim desde o começo?
Qualquer exigência.
Qualquer condição.
Ela aceitava.
Desde que Isabela sumisse.
Agora o prejuízo era maior.
Doía.
Mas, se isso significasse arrancar de vez aquela fonte de desgraça da família Pereira, então que fosse.
Do outro lado da linha, Isabela respondeu apenas:
— Certo.
E desligou.
O bip seco da chamada ecoou no ouvido de Bruna.
Ela ainda segurava o celular, tomada pela fúria. Cuspiu no chão, como se Isabela estivesse diante dela.
— Vagabunda.
Ela tinha feito as contas. E tinha feito direito.
Mesmo manipulando números nos bastidores, mesmo usando todos os ajustes internos possíveis, Isabela ainda sairia com mais de um bilhão.
Mais de dum bilhão.
Era enlouquecedor.
— Quero ver ter vida pra gastar isso tudo. Fica com esse dinheiro.
Ao lembrar que Isabela provavelmente seria presa pela morte da criança, o humor dela melhorou um pouco.
De que adiantavam um bilhão?
Se fosse para apodrecer na prisão, aquele dinheiro não passaria de números mortos numa conta bancária.
E Bruna faria questão de garantir que Isabela nunca mais visse a luz do dia.
Metade do patrimônio.
Ela realmente tivera coragem de exigir metade.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar