Na mansão da família Pereira.
Cristiano acordou com a cabeça latejando.
A ressaca ainda pesava no corpo, e o estômago ardia logo nas primeiras horas da manhã.
O quarto permanecia mergulhado na penumbra. Ele ficou deitado por um longo tempo, encarando o teto sem realmente enxergar nada.
Aquela dor no estômago…
Fazia tempo que não sentia algo assim.
Desde que se casara com Isabela, aquilo praticamente desaparecera.
Quando ela ainda estava ali, sempre que ele voltava de um jantar de negócios, bêbado e exausto, era ela quem trazia uma toalha quente e a pressionava com cuidado contra o peito dele. Na manhã seguinte, ele acordava limpo, leve, sem o gosto amargo do álcool preso à garganta.
Agora, o desconforto da ressaca ia além do físico.
Era um lembrete cruel.
Isabela não estava mais ao lado dele.
O celular começou a vibrar sobre o criado-mudo.
Samuel.
Cristiano passou a mão pelo rosto antes de atender.
— Alô.
A voz saiu rouca, pesada.
— O projeto de Bagen… Provavelmente vamos perder tudo.
Ao ouvir Bagen, Cristiano fechou os olhos e respirou fundo. O hálito ainda carregava o resquício do álcool da noite anterior.
— De novo o Grupo Hoglay?
— Sim.
Silêncio.
Outra vez.
Cristiano realmente não entendia.
Tinha certeza de que jamais provocara o Grupo Hoglay. Não havia conflito direto, nenhum atrito declarado.
Então por que estavam agindo daquela forma?
Ultimamente, a postura deles lembrava a de um cão raivoso: mordiam e não soltavam, perseguiam o Grupo Pereira sem dar trégua.
— Ainda não descobriram o motivo? — A voz dele esfriou.
— Não.
Cristiano já tinha ordenado que Samuel investigasse a fundo.
Como, exatamente, o Grupo Pereira se tornara alvo do Hoglay?
Mas até agora…
Nada.
Nenhuma pista.
Nenhuma explicação.
Apenas ataques sucessivos, frios e calculados.
Ao ouvir a negativa, Cristiano abriu os olhos devagar.
O que brilhou ali dentro foi puro gelo.
— Será que é o Sérgio?
Do outro lado da linha, Samuel demorou um segundo a responder.
— Mas… O senhor Sérgio tem apenas uma parceria comercial com o Grupo Hoglay. Não parece motivo suficiente para eles mirarem o Grupo Pereira desse jeito.
Realmente não fazia muito sentido.
Cristiano cerrou o maxilar.
— Então qual é a porcaria do motivo?
A paciência dele estava no limite.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar