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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 277

Mas não muito… Quanto era isso, exatamente?

O coração de Lílian batia fraco no peito, tomado por um medo quase palpável. Ainda assim, forçou um sorriso dócil.

— Mãe… A senhora chegou quando?

Lançou um olhar rápido para Taís.

A expressão dela também estava carregada.

O estômago de Lílian afundou.

Bruna caminhou até a cama. Puxou a cadeira, que arrastou com um ruído seco pelo chão, e se sentou. Quando falou, a voz saiu fria, afiada:

— O que você fez com a Isabela?

Lílian ficou imóvel.

O tom não deixava espaço para dúvida.

Ela tinha ouvido.

Tinha ouvido tudo.

O coração de Lílian despencou de vez.

Sem responder, abaixou a cabeça.

O silêncio só tornava o ar mais sufocante.

A voz de Bruna esfriou ainda mais:

— Eu perguntei o que você fez.

Ela nunca fora ingênua a ponto de acreditar que Lílian era tão pura quanto aparentava. Sempre soubera que a nora tinha seus próprios jogos.

Ainda assim, a protegia.

Mas havia um limite.

Nada podia fugir ao seu controle.

Se Lílian tivesse feito algo, ela precisava saber exatamente o quê.

O peito de Lílian se contraiu.

De repente, lágrimas grossas começaram a cair, uma após a outra.

— Mãe… Minha filha morreu. Ela nem tinha completado um mês… — A voz saiu embargada, trêmula. — Eu não posso fazer nada contra a Isabela?

Bastou mencionar a criança.

A firmeza agressiva de Bruna vacilou visivelmente.

O olhar endurecido perdeu parte da rigidez.

Ainda assim, insistiu:

— O que você fez?

— Eu mandei sequestrar ela.

As palavras explodiram no quarto como uma bomba.

— Eu queria que ela pagasse com a vida pela minha filha. Queria que sentisse o que eu senti… — A voz tremia. — Mas eu não consegui. No fim, mandei trazê-la de volta. Disse para não encostarem um dedo nela.

Silêncio.

O ar parecia pesado demais para ser respirado.

— Eu quis matar a Isabela. — As lágrimas desciam sem controle. — Minha filha morreu, mãe… Eu não sou santa…

Ao ouvir aquilo, o coração de Bruna vacilou.

A imagem da netinha surgiu nítida em sua mente: o rostinho claro e delicado, os traços suaves.

Como tudo tinha acabado daquele jeito?

Antes que Bruna dissesse qualquer coisa, Lílian continuou, à beira do colapso:

— Eu falhei com o Mar… Não consegui proteger o nosso bebê… Foi culpa minha. Toda minha culpa.

A voz se quebrou.

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