Era raiva demais. Raiva de matar.
Ela estava fazendo aquilo de propósito.
Agora que tinha voltado a morar com a família Pereira, ia atormentar todo mundo sem deixar um único canto em paz, não era?
Isabela não voltou a dar atenção a Bruna e continuou comendo tranquilamente, como se ela nem existisse.
Na família Pereira, o almoço sempre começava às onze e meia.
Agora já tinha passado da hora e, sentindo o cheiro da comida no ar, Bruna ficou com ainda mais fome.
Maldita Isabela...
Voltou a morar com a família Pereira e ainda fez questão de mandar preparar comida só para si.
Se tinha tanto medo de ser envenenada, por que não mandava logo o pessoal dela preparar a comida de todo mundo de uma vez?
Bruna bateu o pé, furiosa, e virou as costas, subindo para o andar de cima.
No quarto, Lílian também já começava a sentir fome.
O resguardo dela era um pouco diferente do das outras mulheres. Ela simplesmente comia mais.
Além das três refeições do dia, ainda precisava de mais duas.
De manhã, por causa da chegada repentina de Isabela, ela nem tinha conseguido fazer o lanche da manhã.
Agora, até o almoço tinha atrasado.
Bruna entrou no quarto praguejando sem parar:
— Maldita Isabela. Ela está ocupando a cozinha de propósito. Está decidida a não nos deixar ter um minuto de paz. Eu vou acabar enlouquecendo. Se Cristiano não tirar essa mulher daqui logo, juro que vou surtar.
Taís franziu a testa.
— O pessoal dela ainda está lá dentro?
— Está preparando o lanche da tarde. Me diz se isso não é um absurdo. A mulher nem terminou o almoço e já mandou começarem a preparar o lanche. Não tem medo nem de morrer empanturrada.
Taís e Lílian ficaram sem palavras.
Ao ouvirem aquilo, as expressões das duas escureceram.
Aquilo não tinha nada a ver com medo de comer demais.
Era óbvio que Isabela estava ocupando a cozinha de propósito.
Ela estava fazendo aquilo de caso pensado.
Taís então perguntou:
— E agora? O que a cunhada vai comer?
Elas duas, tudo bem. Se a fome apertasse demais, ainda podiam sair para comer fora.
Mas Lílian não podia.
Os pontos tinham melhorado só um pouco. De jeito nenhum dava para levá-la para fora naquele estado.
Bruna respirava cada vez mais rápido, tomada pela irritação.
— Pede comida por aplicativo.
Taís arregalou os olhos.

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