Taís já não tinha condições de se importar com mais nada. Num gesto brusco, deu um tapa na pinça esterilizada que a enfermeira lhe estendia, fazendo o metal voar pelo ar.
— Sai daqui. Cai fora.
A enfermeira levou um susto enorme. Ficou com raiva, mas não teve coragem de retrucar.
Bruna lançou um olhar rápido para ela.
— Pode sair primeiro.
— Sim, claro.
Como se tivesse recebido uma anistia, a enfermeira saiu apressada do quarto.
Restaram apenas Bruna e Taís. No segundo seguinte, Taís varreu com o braço tudo o que estava sobre a mesinha ao lado da cama.
O prato caiu no chão com um estrondo, e o quarto inteiro foi tomado por um barulho seco e irritante de coisas se quebrando.
Taís rosnou, com o ódio escancarado no rosto.
— Eu não vou devolver nada pra ela. Nunca. Nem pensar.
Devolver para Isabela?
Isso estava fora de cogitação. Absolutamente fora.
Tudo o que ela tinha conseguido arrancar de Isabela antes… Dessa vez, não devolveria nem morta.
Bruna assentiu com força.
— Isso mesmo. Devolver o quê? Seu irmão te deixou nesse estado por causa dela!
Bruna também fervia de raiva.
Mesmo tendo sido Cristiano quem acertou Taís com o cinzeiro, todo mundo sabia que a confusão tinha começado por causa de Isabela.
Na noite anterior, elas tinham ido atrás dela para cobrar o incêndio na casa da Vanessa.
No fim, nem deu tempo de tocar no assunto. Cristiano partiu pra cima e jogou o cinzeiro em Taís, e ali tudo acabou.
— Finalmente mostrou a verdadeira cara. — Disse Taís, com um riso amargo. — Antes se fazia de desprendida, como se não ligasse pra dinheiro nenhum. No fim, só estava de olho no dinheiro da família Pereira.
— Por isso mesmo que a gente não pode devolver nada. — Respondeu Bruna, com o rosto carregado, e reforçou, categórica. — Ela que tire isso da cabeça.
Antes fingia que não queria, que não fazia questão.
Agora que resolveu querer, acha que basta estalar os dedos e exigir que a gente devolva tudo?
Ela que sonhe.
Taís ainda ia dizer mais alguma coisa quando o celular de Bruna começou a tocar.
Era Samuel.
O nome dele apareceu na tela.
Bruna atendeu já de cara fechada.
— Olha só, Samuel…
— Dona Bruna, a senhora e a Srta. Taís estão no hospital? — A voz de Samuel veio contida. — Vou levar um advogado aí agora mesmo pra falar com vocês.
A palavra advogado foi o suficiente para fazer Bruna explodir.
— Advogado pra quê?!
— Há alguns documentos que precisam da assinatura de vocês.
— Você pode avisar o Cristiano. — Disparou Bruna, sem deixar que ele terminasse. — Que ele pode esquecer isso. Se a Isabela antes dizia que não fazia questão de nada da família Pereira, então agora também não vai ganhar porcaria nenhuma!


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