Entrar Via

Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 93

Antônio surgiu por trás da secretária.

— Cris.

— Entra.

Ao ver que era Antônio, Cristiano não comentou nada.

Antônio entrou. A secretária, sempre educada, fechou a porta com cuidado.

Ele caminhou até a mesa, sentou-se em frente a Cristiano e colocou a pasta de documentos sobre a superfície.

— Foi meu pai que mandou. Dá uma olhada.

Cristiano soltou um riso curto e frio.

— Seu pai é mesmo esperto.

Antônio não negou.

— Ele tá apostando na nossa relação. Quer que eu dê uma forcinha, que abra um atalho.

O rosto de Cristiano se fechou imediatamente.

No Grupo Pereira, a coisa mais intolerável era justamente atalho, jeitinho, favoritismo.

Os amigos conheciam bem as regras dele. Por isso, antes mesmo de Cristiano abrir a boca, Antônio se adiantou.

— Não precisa levar meu lado em conta. Analisa como achar que deve. Eu só vim pra ele não poder dizer que eu não apareci.

— Assim, tão na cara dura? — Cristiano arqueou a sobrancelha. — Não tem medo de ele te dar um corte depois?

Antônio deu de ombros.

— Como se ele já não tivesse feito isso outras vezes. Uma a mais não muda nada.

O problema do seu pai era esse.

Em vez de cuidar direito da produção, vivia tentando resolver tudo com esquemas tortos.

Cristiano acendeu um cigarro e empurrou o maço inteiro na direção de Antônio.

Antônio pegou um, observando o jeito visivelmente irritado do irmão.

— E aí? — Provocou, com um meio sorriso. — Dessa vez a cunhada tá difícil de apaziguar, é?

O tom vinha carregado de deboche, apenas o suficiente para cutucar onde doía.

Na visão dos amigos, o motivo de Cristiano ter se casado com Isabela sempre foi simples.

Ela não tinha família nem respaldo algum, era fácil de controlar. E obediente.

Obediente como um coelhinho sem dentes.

Só que justamente esse "coelhinho", quando resolveu reagir dessa vez, mordeu com uma ferocidade nada comum.

Ao ver Antônio brincar com a situação, ainda que em tom de ironia, o incômodo de Cristiano só aumentou. Ele tragou o cigarro e perguntou, num tom baixo e pesado:

— E o Sérgio? O que você acha da atitude dele com ela?

Antônio ficou em silêncio.

Só de ouvir o nome de Sérgio, a expressão dele endureceu levemente.

Ele também já tinha ouvido os rumores.

Naquela manhã, Sérgio havia voltado às pressas da cidade vizinha e ido direto ao Condomínio Vila Real para salvar Isabela.

Aquilo não era um gesto qualquer.

Muito menos algo inocente.

Aquela postura era estranha demais.

Além disso, em termos de métodos e frieza, Sérgio nunca foi mais brando do que o próprio Cristiano.

Era preciso admitir: com a atitude atual de Sérgio em relação a Isabela, Cristiano tinha esbarrado num adversário difícil. Duro como pedra.

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar