O carro estacionou em frente ao prédio.
Hélder e Alícia tiraram as compras do porta-malas, coisas que haviam adquirido para Lúcio. Hélder pegou todas as sacolas e seguiu atrás de Alícia, que ainda usava os óculos escuros.
— Eu continuo achando que deveríamos mandar uma mensagem para o Irmão J agora mesmo. — Hélder insistiu ao apertar o botão do elevador. — Sra. Serra, o Irmão J é um homem feito. Vai que a gente pega ele sem camisa...
Alícia tirou os óculos escuros.
— Você tem razão. Precisamos avisar primeiro.
O elevador chegou. Alícia deu um passo à frente e entrou, com Hélder logo ao seu lado.
Hélder a observava, apenas para vê-la parada como uma estátua diante da porta, sem o menor sinal de que pretendia mandar o aviso.
Afinal, a Sra. Serra ia ou não avisar?
O elevador alcançou o andar de Lúcio, e os dois saíram.
Foi somente ao parar diante da porta do apartamento que Alícia sacou o celular e enviou uma mensagem de WhatsApp para Lúcio.
Ficaram esperando por cinco minutos, sem que ninguém viesse abrir. Foi então que o elevador que tinham acabado de usar apitou. As portas se abriram, e Hélder lançou um olhar alerta naquela direção.
Vestido de preto, usando um boné escuro e uma máscara, Lúcio se apoiava em uma muleta. Sua perna direita estava engessada, e ele dava passos curtos e dolorosos. Na mão livre, segurava uma sacola de supermercado que balançava a cada movimento.
Alícia congelou.
— Irmão J! — Hélder soltou as sacolas no chão imediatamente e correu até ele. Assim que se aproximou, o cheiro forte de pomada analgésica invadiu suas narinas. — Maldito Vinicius! Aquele desgraçado te deixou nesse estado!
Ainda que o Irmão J não fosse nenhum grande chefe do crime com dezenas de capangas, ele nunca havia passado por tamanha humilhação. A forma como saiu daquele elevador exalava uma solidão de partir o coração.
Maldito Vinicius!
Ele pegou a sacola das mãos de Lúcio, com os olhos transbordando preocupação.
— Tem mais algum lugar machucado?
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