Hélder sentiu um nó na garganta. Como descrever aquela sensação de não ter o que responder?
— Devagar, devagar. — Alícia guiou Lúcio até que ele se sentasse.
— Você devia pensar na proposta do Hélder. Ele é homem, seria mais fácil para te ajudar. — Ela o acomodou com cuidado no sofá.
Lúcio encostou a muleta no braço do sofá, olhou para Alícia em silêncio e voltou a digitar no celular:
[Não gosto de dividir a casa com ninguém, e também não sou fã de comida de restaurante.]
Alícia ficou sem palavras por um instante.
Quanta exigência.
Foi então que ela notou legumes e carne na sacola que Hélder havia colocado sobre a mesa. Coisas que Lúcio tinha acabado de comprar no supermercado.
Ele pretendia cozinhar para si mesmo?
Ao imaginar a cena dele se equilibrando na muleta, lavando verduras e cortando carne na cozinha, o coração de Alícia apertou.
Ela se levantou, tirou o casaco e arregaçou as mangas.
— Eu cozinho para você.
Lúcio digitou rapidamente:
[Não vai dar muito trabalho para você?]
— Trabalho nenhum. Só que meus dotes culinários deixam a desejar, então você vai ter que aguentar firme. Se ficar insuportável, a gente engole o orgulho e pede de restaurante nos próximos dias.
Lúcio assentiu levemente.
Hélder também entrou na cozinha. Embora não soubesse cozinhar, servia como ajudante. Lavar algumas verduras não seria problema.
A cozinha era em formato aberto. Assim que Lúcio ergueu os olhos, viu Alícia diante da bancada, com uma expressão séria e focada enquanto preparava os ingredientes. Seu olhar se fixou nela.
Então era assim que ela ficava na cozinha naquele ano em que ele esteve cego.
— Lúcio, você gosta de comida apimentada? — Alícia ergueu a cabeça de repente.
A profundidade sombria nos olhos do homem se dissipou em um instante, dando lugar a uma serenidade tranquila. Ele acenou com a cabeça.
Alícia voltou aos ingredientes. Era a segunda vez em sua vida que cozinhava para alguém.


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