Inês virou a cabeça para encará-la: — Elisa, eu tenho uma audiência no tribunal hoje, e já estou muito atrasada. Deixo a minha avó aos seus cuidados.
Dito isto, ela virou as costas e saiu apressadamente.
Elisa ainda tentou convencê-la a levar o café da manhã, mas assim que o pegou para ir atrás de Inês, a silhueta da mulher já havia sumido no fim do corredor.
Elisa deu um suspiro e colocou o café da manhã na mesa novamente.
Apressando-se ao máximo, Inês finalmente conseguiu chegar ao tribunal faltando apenas cinco minutos para o início do julgamento.
Francisco já a aguardava à porta, com todos os documentos prontos. Ao ver Inês, soltou um longo suspiro de alívio.
— Inês, finalmente você chegou! Vamos entrar depressa!
— Certo.
Inês pegou os documentos do caso e abriu as portas do tribunal para entrar.
Felizmente, o julgamento decorreu de forma fluida e terminou em menos de duas horas.
Após guardar os documentos, Inês e Francisco saíram juntos do tribunal.
— A propósito, Francisco, serei muito requisitada nos próximos dias. Preciso organizar os casos sob a minha responsabilidade o mais rapidamente possível. A partir de amanhã, deixarei de assumir novos casos. Você representará o escritório no tribunal, e eu apenas te auxiliarei.
Os olhos de Francisco brilharam de surpresa: — Inês, por quê?
— Como você sabe, a minha avó sofreu um derrame cerebral e, em decorrência disso, ficou hemiplégica e afásica. Ela não tem condições de continuar a liderar o Grupo Alves. E como ela não deposita confiança em outra pessoa, serei obrigada a assumir o seu posto. Por esse motivo, precisarei suspender o meu trabalho no escritório de advocacia por um período.
Se ela passasse um mês dividida entre o escritório de advocacia e o Grupo Alves, sem dúvida não conseguiria administrar o seu tempo de forma eficiente. Portanto, ela teria que dedicar toda a sua atenção a apenas uma das áreas.
O semblante de Francisco entristeceu-se levemente, mas ele não teve outra alternativa senão aceitar a decisão.
— Entendido. Eu farei o meu melhor.
— Sim, eu acredito em você.
Olga não demorou a descer as escadas. Ao deparar-se com Inês, ela esfregou as mãos, nervosa, no seu avental, de cabeça baixa, sem ousar estabelecer contato visual.
— Senhorita... o que deseja comigo?
Inês foi direta ao ponto: — Recebi uma ligação da delegacia de polícia agorinha. O policial relatou que Zélia alegou ter substituído a medicação para pressão da minha avó por ressentimento, já que ela se recusara a lhe conceder um empréstimo para pagar as dívidas de jogo do filho. Por isso, eu gostaria que você se encontrasse com ela e a convencesse a revelar toda a verdade.
A expressão de Olga alterou-se. Ela levou alguns instantes até, por fim, dizer: — Está bem... senhorita. Eu tentarei aconselhá-la, mas não posso prometer que ela dará ouvidos.
— Já encarreguei alguém de investigar a situação. A dívida de jogo do filho dela já foi saldada. É apenas uma questão de tempo até que eu descubra quem efetuou o pagamento. Portanto, mesmo que ela se recuse a colaborar, a verdade logo virá à tona. Se ela insistir na mentira de ter agido sozinha, acabará enfrentando acusações de cumplicidade num crime.
— Entendido... eu compreendo.
— Muito bem. Agradeço.
— De forma alguma... senhorita, é a minha obrigação.
Logo após deixar a mansão antiga e preparar-se para retornar ao escritório de advocacia, Inês recebeu uma chamada de Elisa.

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