Apenas dois dias antes, Inês o encontrara. Ele agira com total naturalidade e, repleto de falsa indignação, prometera não perdoar quem quer que houvesse traído Afonso, caso o culpado fosse descoberto.
Quem diria que o próprio homem era o traidor!
Após finalizar a leitura, Inês fechou o dossiê e fitou Ibsen:
— Sr. Serpa, estes documentos serão de imensa utilidade. Muito obrigada!
— Contanto que ajudem, já fico satisfeito.
Passando a pasta para Valdir, Inês apanhou o cardápio e o abriu:
— O que o Sr. Serpa deseja pedir?
— O que você preferir. Pode escolher por mim.
— Está bem.
Inês selecionou alguns dos pratos mais caros, acrescentou algumas das especialidades da casa e devolveu o menu ao garçom.
— Isso será tudo por enquanto.
O garçom repassou os pedidos com Inês para confirmá-los e retirou-se com o cardápio.
Inês dirigiu o seu olhar a Ibsen e declarou:
— Sr. Serpa, tenho um horário marcado com um cliente e já estou quase atrasada. Sendo assim, não poderei lhe fazer companhia durante a refeição. Caso a comida não seja suficiente, sinta-se à vontade para solicitar mais aos garçons. A conta ficará sob a minha responsabilidade. Com a sua licença, preciso me retirar.
Dito isso, sem ao menos aguardar a reação de Ibsen, ela ergueu-se e caminhou apressadamente em direção à saída do restaurante.
Valdir ficou atordoado por um segundo, mas logo se pôs de pé e a seguiu.
Somente quando já estavam fora do estabelecimento, Valdir questionou:
— Srta. Inês, tratando o Sr. Serpa dessa maneira, não teme provocar a sua ira?
O semblante de Inês permanecia imperturbável:
— Fique tranquilo, ele não ficará ofendido.
— Como tem tanta certeza?
— Porque eu o conheço.
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