Ela finalmente havia entendido: Joana a chamara de volta hoje apenas para que ela perdesse as esperanças de vez.
À mesa de jantar, toda a família tomou seus lugares, e Karina sentou-se num canto.
— Acabei de ouvir do Alan que vocês pretendem ficar noivos. Já escolheram o local e tudo mais? — perguntou Joana.
— Desde que a Alícia goste, por mim está tudo bem. — respondeu Alan, servindo um pouco de comida para Alícia Cabral.
— Então, o que acham de deixar a Karina ser a madrinha?
Essa frase de Joana fez com que o ambiente mergulhasse num silêncio absoluto.
— Essa menina vive grudada no Alan desde pequena. Sabendo que você vai se casar, com certeza deve estar radiante de alegria.
— Não é verdade, Karina?
Enquanto falava, Joana olhava para Karina com um sorriso nos lábios.
Mas quanta sinceridade haveria naquele olhar?
Karina apertou o garfo com força.
Ser madrinha no casamento do próprio ex-namorado?
— Eu já sou casada, não posso ser madrinha. — disse ela, cutucando o arroz no prato.
— E eu não quero uma presença suja e agourenta na minha festa de noivado.
As duas vozes soaram ao mesmo tempo.
Karina paralisou.
Quem havia falado era Alan. Alan a havia chamado de presença suja?
Karina sabia que Alan ainda a odiava.
Quando ela tinha dezoito anos, Alan, na tentativa de protegê-la, teve a mão cortada por marginais. Os nervos foram rompidos e ele nunca mais pôde segurar um bisturi.
A única chance de curar a sua mão seria ingressando no instituto de pesquisa farmacêutica mais avançado do país.
E o requisito para entrar no instituto era que Alan concluísse um experimento biológico complexo.
Karina, que deveria acompanhá-lo como voluntária nesse experimento clínico, acabou faltando ao compromisso.
Félix estava sentado ao lado de Bárbara, com um sorriso de canto de boca.
Karina lembrou-se do passado, de quando ardia em febre e mesmo assim acompanhava Félix em jantares de negócios apenas para fechar grandes contratos.
Nessas ocasiões, era forçada a beber sem parar. Após assinar um contrato, vomitou até quase desmaiar no banheiro e, ao sair, a sala reservada já estava completamente vazia.
E, como o contrato havia sido fechado, o grupo organizou uma comemoração, mas sequer avisaram a ela, a maior responsável pelo sucesso.
Mais tarde, Karina descobriu que fora Félix quem a proibira de participar.
Por causa disso, todos sabiam que Félix não gostava de ter a Sra. Karina ao seu lado.
Karina enxugou o rosto, percebendo só então que já estava com o rosto banhado em lágrimas.
O celular apitou mais uma vez. Era uma mensagem de sua assistente.
Tratava-se de um registro detalhado de uma conferência acadêmica recente da qual o seu antigo professor havia participado.
Karina folheou algumas páginas e o seu dedo parou sobre um relatório de pesquisa. Era uma teoria que ela própria havia proposto há sete anos.
O professor ainda estava dando continuidade à sua ideia!

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