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Alvorada: O Retorno romance Capítulo 7

Karina sabia agora como fazer com que o professor a aceitasse de volta.

Nesse momento, bateram na janela do carro.

Karina levantou a cabeça. Era Alícia, sozinha.

— Precisa de algo?

— Karina, você estava chorando? Por que continua tão chorona quanto era quando criança? — disse Alícia, de braços cruzados do lado de fora do carro, sem o menor sinal da postura contida e elegante de antes. Ela lançava um olhar desdenhoso sobre Karina, com um sorriso irônico nos lábios.

Karina franziu a testa.

Aos quinze anos, cursando o nono ano, ela e Alícia estudavam na mesma escola.

Sem o menor motivo, Alícia começou a praticar bullying contra ela. Talvez por inveja de suas boas notas, ou por não suportar o fato de ela ser a garota mais bonita da escola.

O fato é que Alícia proibiu todos de falarem com ela, tornando-a praticamente invisível.

Era o lixo que aparecia misteriosamente em sua mesa, os trabalhos em grupo onde nunca conseguia parceiros, as vezes em que foi encurralada no banheiro por Alícia e suas seguidoras, sendo agredida sem razão alguma...

Adolescentes são sempre muito sensíveis, e Karina, naquela época, mergulhou num desgaste emocional tão profundo que até pensou em suicídio.

— Se lá atrás você soubesse que eu me tornaria a sua tia, teria caído de joelhos implorando para que eu te deixasse em paz, não é? — riu Alícia com desdém.

— O Alan sabe que você praticava bullying na escola? Não se esqueça de que ainda tenho provas. — cortou Karina, com frieza.

Naquela época, quando Alícia a assediava, gravava vídeos e enviava para ela, ameaçando vazar as imagens caso ousasse contar a alguém.

Karina havia guardado todos esses vídeos.

— Quer que eu mande para o Alan? — perguntou Karina, mantendo o sorriso intacto.

— Já não quer mais ser a minha titia?

Vendo a expressão de Alícia escurecer instantaneamente, Karina fechou a janela e arrancou com o carro, sem olhar para trás.

Observando o carro de Karina se distanciar, o semblante de Alícia tornou-se ainda mais sombrio.

No passado, quando Alan recebeu uma oferta do instituto de pesquisa médica mais avançado do exterior, ela correu para segui-lo.

Contudo, na convivência diária, Alan sempre a tratava com certa frieza.

Até que, por acaso, descobriu que Alan parecia estar procurando alguém. Ela pediu à sua família que investigasse e descobriu que ele buscava a voluntária do experimento daquela época.

Segundo os colegas de laboratório de Alan, aquela voluntária era muito misteriosa.

Além disso, o experimento era extremamente perigoso. Havia uma enorme probabilidade de que a participante sofresse danos irreparáveis no útero, perdendo para sempre a capacidade de engravidar.

Exatamente por isso, embora a Família Vargas oferecesse uma recompensa astronômica, ninguém jamais quis participar.

Até surgir, de última hora, aquela voluntária enigmática...

No fim das contas, foi justamente por aperfeiçoar esse experimento que Alan conseguiu a vaga no laboratório estrangeiro.

Portanto, Alan nutria uma profunda gratidão por essa pessoa. Era seguro dizer que, sem a voluntária, o Alan de hoje não existiria.

Alícia ponderou que, já que a pessoa não quis mostrar o rosto, isso significava que não queria revelar a sua identidade. Encontrá-la num mar de gente seria como procurar uma agulha no palheiro.

Sendo assim, ela tomou a maior decisão da sua vida.

Mais tarde, ao voltar para a sala de estar, Alícia viu Alan no sofá e sentou-se ao seu lado.

Ela já não havia feito escândalo antes? Reclamando que ele nunca ia para casa à noite, que não dormiam no mesmo quarto, que não pareciam um casal de verdade.

Félix zombou internamente, pegou o envelope sobre a mesa e o enfiou no triturador de papel.

Já que Karina sempre quis consumar o casamento e ter um filho, desta vez ele faria a vontade dela. Seria a oportunidade perfeita para usar o sangue do cordão umbilical para o tratamento de Bárbara.

Contudo, se ela tentasse usar chantagens desse tipo de novo, ele não hesitaria em demiti-la de verdade.

No triturador, as palavras "acordo de divórcio" piscaram num relance. Vasco piscou os olhos, achando que tinha visto errado.

Não podia ser. O Diretor Lopes não era casado publicamente, como poderia haver um acordo de divórcio ali?

Devia ser o pedido de demissão. Ele com certeza havia se confundido.

Enquanto isso, Karina não perdia tempo e já fazia as suas malas rapidamente.

Não era muita coisa, apenas uma mala pequena.

Já que ia se divorciar, não era mais apropriado continuar morando na casa da Família Lopes.

Em mais um mês, ela finalmente receberia os vinte milhões.

Bem quando Karina terminou de arrumar tudo e se preparava para sair, ouviu-se o clique da porta sendo aberta.

Era Félix entrando no quarto.

Karina ficou perplexa. O que Félix fazia ali a essa hora?

Ele não deveria estar fazendo companhia para Bárbara num momento como aquele?

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