Um cheiro forte de desinfetante invadiu suas narinas.
Júlia abriu os olhos lentamente. Os objetos ao seu redor ficaram turvos por um instante antes de ganharem nitidez.
Os ossos de todo o seu corpo pareciam ter sido desmontados e remontados. Tudo doía, especialmente a cabeça, com uma dor surda e insistente.
Ela sentiu um pouco de náusea.
— Você acordou?
Patrícia Prado acenou com os dedos: — Consegue enxergar direito? O médico disse que sua cabeça sofreu um impacto e que você está com uma leve concussão.
Júlia abriu a boca e percebeu que sua voz havia sumido completamente.
Ela olhou ao redor.
— Este é o hospital particular no qual a família Santana investiu. Você está na ala VIP, quer ir ao banheiro?
Júlia viu a preocupação estampada no rosto de Patrícia e, apesar do extremo mal-estar físico, balançou a cabeça indicando que não era necessário.
Para falar a verdade, ela não era estranha àquele hospital particular; já estivera lá antes, quando a Dona Helena Santana adoeceu.
A porta do quarto não estava fechada, fazendo o corredor parecer ainda mais vazio e profundo.
Do quarto VIP ao lado, vinha a voz delicada e fraca de uma mulher.
— Sérgio, eu ainda estou viva mesmo? É você mesmo que está ao meu lado?
Sérgio emitiu um suave "hum": — Não tenha medo, o médico disse que não atingiu nenhum órgão vital, só que... a ferida pode deixar uma cicatriz.
A voz dele era incrivelmente profunda e gentil.
Marlene Martins também soava acolhedora e delicada: — Pronto, Clarinha, descanse um pouco. O Sérgio e eu estamos aqui com você.
Clarice deu uma risadinha fraca: — Eu sei, mamãe. Eu também não queria que o Sérgio ficasse tão cansado.
Ela fez uma pausa e perguntou com expectativa: — Sérgio, eu ainda estou com um pouco de medo, você pode me dar um abraço?
Júlia não pôde evitar olhar para o corredor vazio.
Na luz quadrada e alongada projetada em frente à porta.
Duas sombras estavam abraçadas, parecendo extremamente íntimas e acolhedoras.
Como se eles sim fossem familiares e amantes.
Júlia tossiu de leve duas vezes, voltou a si e refletiu: — Por que ela estaria no mesmo lugar onde fui sequestrada? Isso por si só não faz sentido.
Patrícia: — Ela foi atrás do Diretor Santana. Conseguiu o endereço com a equipe técnica da Oceano. Falando nisso, toda essa história é bizarra demais.
Claro que era bizarro.
Júlia sabia que era apenas uma pessoa comum sem grandes contatos, e raramente ofendia alguém em sua vida pessoal ou no trabalho.
Apenas Clarice.
Ela de repente se lembrou de algo e tentou se levantar, mas sentiu uma pontada no pulso e no ombro: — Ai...
— Não se mova, não se mova. — Patrícia a segurou rapidamente. — Seu pulso deslocou e seu pé também torceu, você só pode fazer movimentos leves para se recuperar. O que você quer que eu pegue?
Júlia não se importava com a dor: — Onde está minha bolsa? Dentro tem um gravador de voz, e ele é muito importante. Deve ser o suficiente para encontrar o verdadeiro culpado.
Patrícia: — Desde que confirmaram que foi um caso de sequestro, a polícia assumiu as investigações. Sua bolsa foi levada como evidência e não pode ser devolvida até que os resultados da investigação sejam concluídos.
Júlia sentiu um alívio parcial ao saber que a polícia estava no caso.
Após Sérgio acalmar Clarice, ele retornou ao quarto de Júlia e a encontrou dormindo profundamente.

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