Clarice Cardoso havia esperado por Sérgio Santana várias vezes na Oceano, mas sem sucesso.
Ao perguntar, descobriu que Sérgio vinha trabalhando de casa de vez em quando.
De manhã ao acordar, Sérgio preparou uma xícara de café para si, como de costume.
Júlia Guedes desceu as escadas e sentiu o aroma intenso.
Ao ver isso, Dona Helena Santana não deixou de repreendê-lo:
— Bebendo café logo de manhã sem nem ter comido, não é à toa que você tem dor de estômago. Julinha, dá um jeito nele.
Júlia estava servindo um chá para si mesma, não muito longe de Sérgio.
Quando ela deu uma espiada discreta, viu que Sérgio também olhava para ela, chegando a levantar uma sobrancelha, como se perguntasse: — E aí, vai tentar?.
Júlia sabia que era o grande presidente Sérgio em sua fase rebelde novamente.
Ele sempre colocava o trabalho em primeiro lugar e, para se manter focado, tratava o próprio estômago com rigor espartano.
Se tivesse o mínimo de consciência, as coisas não estariam daquele jeito.
Ela não sabia como Sérgio resolveu a situação exatamente, mas naqueles dias ela realmente não recebera mais nenhuma ligação exasperante de seus pais.
Assim que Sérgio foi pegar a xícara, uma mão a cobriu.
Ele havia tomado banho ao acordar, e o cabelo só estava seco pela metade, caindo de forma relaxada sobre a testa. Ele parecia muito mais acessível do que de costume.
Como a velha senhora estava ali perto, Sérgio não disse nada; apenas ergueu o queixo em direção ao copo de água de Júlia.
O significado era: vá beber a sua água.
Júlia também ficou em silêncio, apenas lançando um olhar sutil para Dona Helena.
O significado era: se você tem coragem, vá discutir com a sua avó.
Não tinha autocontrole, mas sempre jogava a culpa nela.
Era difícil se livrar do vício em café, e Sérgio não sabia o que fazer.
De repente, lembrou-se de que, ao registrar sua conta secundária outro dia, viu que Júlia gostava de doces.
Então, aproveitando a brecha, ele perguntou de propósito:
— É café coado, jogar fora é desperdício. Se eu não for beber, você bebe?
Que cara de pau!
Ainda tentou inverter a culpa.
Júlia soltou um riso frio.
Sérgio achou a situação divertida; ela lutava por um detalhe tão pequeno e tinha tanto orgulho.
Agora, de repente, ele não queria mais tomar o café; queria ver Júlia se dar mal.
O celular de Sérgio tocou, e ele atendeu direto:
— Quem é?
Enquanto atendia o telefone, ele não esqueceu de virar a água de Júlia em um copo vazio, despejando o café na xícara dela.
Sérgio encostou-se no balcão da cozinha em ilha, com um pé apenas encostado no chão, olhando para a mulher com uma pose relaxada.
Fazia gestos para ela: beba.
Júlia arregalou os olhos.
Júlia ficou um pouco curiosa, mas como a avó e Dona Eunice estavam ali, ela não teve como perguntar.
Júlia jantou em silêncio; Dona Helena achou que o casalzinho havia brigado de novo.
Fazia gestos incansáveis para Sérgio, pedindo para ele colocar comida no prato da esposa.
Mas Sérgio agia como se estivesse cego, apenas tomando golinhos de café.
O que foi? O café te empurra cadeira de rodas? Ou acende incenso por você?
Após a refeição, enquanto Júlia lavava os copos na cozinha, Dona Eunice não aguentou mais assistir:
— A senhora não precisa me ajudar a lavar todas as vezes, isso atrasa o seu tempo.
Ela passou um pano na água da mesa e, ao ver aquele pacotinho de açúcar, soltou um "ai":
— Quem encontrou isso?
Júlia tossiu levemente e, um tanto envergonhada, perguntou:
— Dona Eunice, por que tem açúcar escondido no armário?
Por dentro ela murmurava: "Será que o Sérgio me deu um açúcar vencido de propósito?".
Dona Eunice repuxou o canto da boca, com um sorriso bem forçado:
— Sempre teve. Era preparado para o Sr. Sérgio.
Júlia ficou muito surpresa.
Quem diria, um homem daquele tamanho, que a puxara com a força de um touro, tinha hipoglicemia?

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