Júlia vestia apenas uma camisa que não era muito grossa.
A sua blusa quase fora arrancada agora há pouco.
Tentando segurar o colarinho, não percebeu que seu celular foi esbarrado por alguém e caiu no chão.
Quando ela se abaixou para pegar, as pessoas em volta se apertaram ainda mais, tentando se aproximar dela.
E foi assim que Júlia caiu, seus joelhos bateram no chão e, à sua volta, tudo o que ela via eram pernas.
Ela não sabia quem gritou primeiro, e depois foram só berros, cliques de câmeras e o som do atrito das roupas sendo empurradas.
Júlia estava sendo tão imprensada que mal conseguia respirar e não conseguia sequer ficar de pé.
Por um instante, ela se viu em meio ao pânico de estar engolida por uma multidão, completamente desamparada.
Ela sentiu a sua glicose baixar e teve náuseas.
Júlia parecia alguém se afogando nas sombras, tentando desesperadamente nadar até a superfície, mas sem nunca ver o fim.
Gritar com toda a sua força também não seria ouvido.
De repente, uma mão a puxou.
— Dêem espaço, por favor, abram caminho, não se machuquem, nosso Diretor Franco preparou presentes para cada fã, por favor venham comigo!
Lucas puxou Júlia para cima. Ao vê-la com os cabelos despenteados, mas sem ferimentos graves visíveis, suspirou aliviado.
Ele rapidamente enfiou um boné de beisebol na cabeça dela.
Lucas havia pegado o voo logo a seguir e, obviamente, não esperava presenciar uma cena dessas.
Ele tinha vindo apenas com um motorista e um assistente, e agora todos estavam na linha de frente.
Em pouco tempo, o sistema de som do aeroporto entrou em ação, pedindo a todos que abrissem um corredor de maneira organizada.
Na direção oposta, o assistente de Lucas distribuía bonecos de pelúcia e cafés que havia comprado às pressas nas lojas.
Lucas também não se importou mais em evitar suspeitas. Ele usou o ombro para afastar a multidão, segurando firmemente o pulso de Júlia para guiá-la para fora.
Quando a multidão se afastou um pouco, ele só então abaixou a cabeça e perguntou: — Tudo bem com você?
A expressão de Júlia estava escondida debaixo do boné; ela apenas balançou a cabeça em resposta.
Lucas pareceu perceber que ela não queria falar, então assumiu automaticamente a função de interagir com os fãs.
Quando eles já estavam na saída do aeroporto, gritaram: — Cuide bem dela!
Lucas olhou para trás, acenou duas vezes e mandou um beijo bem exibido pelo ar.
Todos os fãs vaiaram: — Eca~
Um dos garotos até ficou com a voz rouca ao gritar: — Meu amor, você é tão linda!
Evidentemente, o grito foi direcionado para Júlia.
Lucas não gostou nada da ousadia, e logo o imitou com uma voz falhada: — Já entendi, meu garoto!
Com essa interação, os fãs foram embora contentes.
Assim que Lucas levou Júlia para o carro, seu rosto ficou imediatamente sério.
— O que aconteceu? Você não disse que alguém vinha te buscar?
Júlia ficou calada e com a cabeça baixa. Em seu braço, havia várias marcas de arranhões.
Lucas explodiu: — Você sabe o quanto um tumulto desses é perigoso? E ainda num lugar público. Não vou nem falar da mídia, e se alguém tivesse se machucado? E se alguém fosse parar no hospital?!

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