Quase ao final da reunião, Sérgio fez algumas perguntas, e todas elas já haviam sido previstas por Júlia.
Não só Tiago, mas até o gerente de projetos sentiu-se secretamente aliviado.
Chegou a pensar que Júlia devia ser capaz de ler a mente daquele Diretor Santana.
Sérgio ficou extremamente satisfeito com o resultado da reunião e sentiu um desejo ainda maior de recrutar aquela talentosa sócia.
Após encerrar a chamada, Sérgio participou de mais algumas reuniões com a empresa.
Como sua mão ainda não estava boa, ele optou por não ir ao Grupo Oceano.
De qualquer forma, Sérgio normalmente viajava a trabalho mais do que ficava no escritório, então os demais já estavam acostumados com sua ausência.
Sérgio estava submerso na papelada até que alguém bateu na porta do escritório.
— Dona Eunice, aconteceu alguma coisa?
Dona Eunice estava com uma expressão preocupada:
— É o seguinte, Sr. Sérgio. Quando fui arrumar o quarto da senhora agora há pouco, reparei que o vidro da janela estava quebrado.
Sérgio acenou com a cabeça. Como não queria que a avó se preocupasse, já havia se livrado da pedra com antecedência.
— Deve ter sido alguma criança que, sem querer, chutou a bola e quebrou o vidro.
Mas Dona Eunice não se retirou:
— Não é isso, é que... é melhor que o senhor desça para ver.
Sem alternativa, Sérgio desceu as escadas.
Lá embaixo, deparou-se com Dona Helena Santana sentada no sofá, apoiando-se na bengala que raramente utilizava.
Sobre a mesa, havia um exame de gravidez.
Nele constava de forma cristalina que a paciente era Clarice Cardoso e que o resultado indicava uma gravidez de 1 a 4 semanas.
Dona Helena exigiu:
— Me explique agora mesmo. O que significa isso?
Sérgio observou o documento em silêncio.
Sua mente viajou para a noite anterior e para os questionamentos que Júlia havia feito.
Embora, ao sair do quarto, ele tivesse interrogado o funcionário que chamara Clarice, a negativa de Júlia o fizera hesitar.
Sérgio não podia dizer que havia sido drogado por Júlia.
Tampouco conseguia jogar toda a culpa nas costas de Clarice.
— Eu bebi demais.
— Bebeu demais?
Dona Helena levantou-se, apontou a bengala para ele e disse com a voz trêmula:



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