— Que tal pedirmos comida? Ih, mas o serviço de entrega mais próximo demora umas três horas; nessa estrada na montanha, vai ser meio complicado.
Até que alguém sugeriu:
— Por que não cozinhamos nós mesmos? Vi que a vila tem panelas e temperos em quantidade suficiente, e os ingredientes já foram entregues.
— Seria ótimo, mas eu não sei cozinhar.
— Eu também não...
— Eu posso fazer uma vagem salteada.
E as sugestões começaram a pipocar.
No fim das contas, a maioria ali era especialista apenas em pedir comida por aplicativo.
O combinado de cada um contribuir com um prato resultou em apenas três opções, mesmo após muita discussão.
Júlia deitou um olhar sobre os dois homens ao seu lado.
Um bebericava o vinho e o outro mantinha as mãos nos bolsos.
Tiago levantou a mão, trêmulo:
— Eu posso preparar a salada de pepino esmagado.
...
Júlia voltou-se novamente para o lado.
Lucas demonstrou ainda menos vergonha que Tiago, sem carregar um pingo de culpa na consciência.
— Eu posso fazer o prato "Buda Pula o Muro". Deixe-me ver. Ah, como faltam abalone, pepino do mar, vieiras e fungo de bambu... Sem os ingredientes certos, eu passo a vez.
Tiago apressou-se a concordar:
— Se você não vai fazer, eu também desisto da minha salada.
Júlia quase não conseguiu conter o riso.
Esperar que aqueles ricaços arrogantes encarassem o fogão era o mesmo que sonhar com porcos voando.
Ela checou os ingredientes:
— Deixem comigo.
Júlia arregaçou as mangas e orientou a equipe na separação dos itens.
Naquele dia, trajava um vestido longo de seda, com uma fita amarrada no pescoço simulando uma gargantilha, o que lhe conferia a aparência de uma estrela de cinema em suas horas vagas.
Entretanto, ninguém podia imaginar que ela tinha tanta destreza na cozinha.
Fatiando os brotos de bambu, derretendo o melaço e preparando o molho de gengibre.


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