— Que tal pedirmos comida? Ih, mas o serviço de entrega mais próximo demora umas três horas; nessa estrada na montanha, vai ser meio complicado.
Até que alguém sugeriu:
— Por que não cozinhamos nós mesmos? Vi que a vila tem panelas e temperos em quantidade suficiente, e os ingredientes já foram entregues.
— Seria ótimo, mas eu não sei cozinhar.
— Eu também não...
— Eu posso fazer uma vagem salteada.
E as sugestões começaram a pipocar.
No fim das contas, a maioria ali era especialista apenas em pedir comida por aplicativo.
O combinado de cada um contribuir com um prato resultou em apenas três opções, mesmo após muita discussão.
Júlia deitou um olhar sobre os dois homens ao seu lado.
Um bebericava o vinho e o outro mantinha as mãos nos bolsos.
Tiago levantou a mão, trêmulo:
— Eu posso preparar a salada de pepino esmagado.
...
Júlia voltou-se novamente para o lado.
Lucas demonstrou ainda menos vergonha que Tiago, sem carregar um pingo de culpa na consciência.
— Eu posso fazer o prato "Buda Pula o Muro". Deixe-me ver. Ah, como faltam abalone, pepino do mar, vieiras e fungo de bambu... Sem os ingredientes certos, eu passo a vez.
Tiago apressou-se a concordar:
— Se você não vai fazer, eu também desisto da minha salada.
Júlia quase não conseguiu conter o riso.
Esperar que aqueles ricaços arrogantes encarassem o fogão era o mesmo que sonhar com porcos voando.
Ela checou os ingredientes:
— Deixem comigo.
Júlia arregaçou as mangas e orientou a equipe na separação dos itens.
Naquele dia, trajava um vestido longo de seda, com uma fita amarrada no pescoço simulando uma gargantilha, o que lhe conferia a aparência de uma estrela de cinema em suas horas vagas.
Entretanto, ninguém podia imaginar que ela tinha tanta destreza na cozinha.
Fatiando os brotos de bambu, derretendo o melaço e preparando o molho de gengibre.
Ele adorava pratos com temperos suaves, porém a simplicidade devia estar atrelada à combinação perfeita de cores, cheiros e gostos.
Contudo, Débora notara que, a cada refeição pedida, Sérgio sempre comia com o semblante carrancudo.
Mas não se tratava apenas de caprichos do chefe.
O estômago era um órgão extremamente ligado às emoções, e a tensão habitual em que ele vivia tornava qualquer refeição um sacrifício.
Por isso ele era bem mais exigente quanto aos sabores da comida do que uma pessoa comum.
No momento em que Sérgio achava a refeição impossível de engolir, seu celular emitiu um 'ding'.
Era uma mensagem de Tiago Cavalcante.
Aproveitando o prato delicioso, Tiago achou justo tirar proveito da deixa, afinal ele precisava pagar de bom moço em seu pedido de desculpas.
Só que não tinha a intenção de poupar Sérgio.
Nas fotos, havia um banquete repleto de pratos apetitosos.
De forma proposital ou não, uma das mãos de Júlia aparecia no quadro.
Sérgio foi capaz de identificá-la pela marca da joia que a jovem usava no pulso.
Tiago enviou: [Imagem] [Imagem] [Imagem]. Caramba, meu chapa, por que você nunca comentou que os dons culinários da deusa eram tão absurdos? Escondeu o jogo ou foi porque nunca provou do prato dela?

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