— Onde você estava?
Clarice fez uma expressão entristecida:
— Não estava me sentindo bem, fui ao banheiro, mas não consegui vomitar nada.
Sérgio não comentou, apenas perguntou:
— Vamos comer naquele Gourmet das Massas agora ou amanhã?
Clarice deu uns tapinhas no próprio peito:
— Estou tão enjoada, não consigo comer hoje. Sérgio, vamos amanhã, tudo bem?
— Como quiser. — respondeu ele.
De qualquer forma, conforme as instruções do médico, teriam que voltar no dia seguinte.
Débora já havia recebido o cronograma do chefe com antecedência.
Sabia que Sérgio chegaria à empresa de tarde naqueles dois dias.
Na manhã seguinte, ela se apressou para a antiga mansão.
Júlia ficou um pouco constrangida:
— O Diretor Santana já foi trabalhar.
— Hã?
Mas o chefe não tinha ido para a empresa, tinha ido para o hospital.
Contudo, como assistente, ela não deveria se meter nesses assuntos.
— Sra. Júlia, eu vim procurar a senhora.
Meio sem graça, ela explicou que tinha vindo perguntar a Júlia sobre aquele restaurante de antes; ouvira dizer que o assistente Juliano costumava encomendar pratos de um restaurante exclusivo.
Ao ouvir aquilo, Júlia ficou em silêncio.
Na verdade, todos aqueles pratos tinham sido preparados por ela mesma; o tal restaurante nem existia.
Débora queixou-se preocupada:
— A senhora não sabe, mas o chefe não tem conseguido comer ultimamente. Eu segui o que me ensinou, nos horários certinhos, mas recentemente ele tem tomado cada vez mais remédios para o estômago.
Ela morria de medo de não passar no período de experiência e ser demitida.
Buá, buá, ela não queria isso de jeito nenhum!
Apesar do Diretor Santana ser um carrasco e sempre ter horas extras, ele era o chefe menos exigente com questões pessoais que ela já tinha visto.
E o mais importante: pagava muito bem.
Quando Júlia soube que Sérgio não estava conseguindo comer, franziu a testa levemente.


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