Enquanto elogiavam, começaram a exaltar Sérgio Santana.
Sérgio olhava fixamente para Júlia, com uma admiração no olhar da qual nem ele mesmo se dava conta.
Antes, ele apenas achava que Júlia era obediente e sensata.
Quanto a ser uma boa dona de casa, era algo que só ouvia da avó.
Desta vez, teve a percepção mais direta possível.
Com a capacidade de Júlia para resolver as coisas, quanto mais um pequeno jantar em família, ela daria conta até de um banquete de negócios internacional.
Essa atenção aos detalhes e habilidade de comunicação valiam por dez assistentes profissionais.
O rosto de Tia Simone ficou lívido.
Toda aquela condução da situação fez com que a atitude anterior dela parecesse a de uma megera.
— Júlia, você fez isso de propósito!
Simone teve vontade de xingar.
Sérgio lançou-lhe um olhar indiferente:
— Tia Simone, não está satisfeita com a comida?
Júlia também explicou:
— O preparo desses pratos que eu fiz realmente exige menos etapas, mas a Tia Simone não conseguiu esperar.
Com a idade que tinha, era a primeira vez que Simone caía numa armadilha tão bem armada.
Ela estava extremamente insatisfeita!
Mas por mais insatisfeita que estivesse, não podia desrespeitar Sérgio.
Senão, o que seria do dinheiro do fundo fiduciário da família? Do cargo do marido na subsidiária? Do futuro do filho?
Simone fuzilou Júlia com o olhar:
— Estou satisfeita, com uma esposa tão astuta e cheia de artimanhas como a sua, como eu ousaria não estar?
Assim que ela terminou de falar, viu-se Clarice ao lado dar um pequeno soluço de ânsia.
Simone quase riu alto.
Como tinha se esquecido da Srta. Cardoso?
Ela imediatamente perguntou, fingindo preocupação:
— Nossa, Srta. Cardoso, o que houve?
Como Clarice já havia prometido a Sérgio não deixar Júlia saber sobre a gravidez, era inconveniente dizer abertamente.
Ela apenas tocou levemente a ponta do nariz com um lenço:
— Desculpe, Júlia, meu paladar mudou ultimamente.
Não era intromissão dela, mas é que Júlia estava comendo muito pouco.
Júlia viu o rosto da idosa cheio de preocupação, desejando poder comer por ela para que ganhasse um pouco mais de peso.
Sem alternativa, ela tomou mais um gole de sopa.
Porém, uma onda de náusea subiu-lhe à garganta.
Por pouco Júlia não vomitou na frente de todos.
Ela olhou para a comida à sua frente, que havia preparado com as próprias mãos e que momentos antes tinha tanta vontade de comer, e de repente perdeu o apetite.
— Dona Helena, eu realmente já estou satisfeita, não se preocupe.
Dona Helena, mulher experiente, assumiu uma expressão pensativa ao ouvir aquilo.
Será que era o que ela tanto esperava?
Mas repensando, achou que não seria.
Afinal, aqueles dois estavam hospedados na mansão; se algo realmente tivesse acontecido, estariam constrangidos.
Como poderiam estar tão tranquilos agora?
Dona Helena suspirou:
— Tudo bem, se não quer comer, não coma. Quando voltarmos, pedirei à Dona Eunice para preparar algo quentinho para você.

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