Júlia sorriu resignada.
A equipe do projeto e os seguranças — oito pessoas no total — dormiram todos no mesmo espaço.
Por outro lado.
Após acompanhar Clarice no exame pré-natal, Sérgio seguiu direto para a empresa.
Como estava assoberbado de problemas pessoais recentemente, precisava fazer horas extras para compensar o atraso no trabalho.
Na hora de ir embora, pingos de chuva começaram a cair.
Instintivamente, Sérgio abriu as suas mensagens.
Ele notou que havia mudado o contato salvo como 'Júlia Guedes (Agência Estelar)' para apenas o nome dela.
Tentou lhe fazer uma ligação.
Júlia não atendeu.
Sérgio não se preocupou muito inicialmente, até que Éder abriu a porta do escritório.
— Diretor Santana, houve um problema com o projeto. Após a assinatura do contrato do terreno hoje, a equipe ficou incontactável.
— Como assim, incontactável?
Éder mostrou uma página de notícias.
— Há um alerta laranja de tempestade na cidade vizinha. O sinal caiu e as autoridades locais já iniciaram o protocolo de emergência para desastres.
— O que você disse?
Sérgio levantou-se abruptamente.
A sua cadeira giratória foi empurrada para trás e deu duas voltas soltas.
Ele agarrou a chave do carro e saiu.
Éder não sabia o que o chefe planejava fazer.
O local do projeto ficava próximo a uma montanha; se houvesse mesmo um alerta de desastre, seria impossível chegar lá.
Sérgio continuou a ligar enquanto andava, mas ninguém atendia o celular de Júlia.
Naquele momento, ele foi tomado por um profundo arrependimento.
Por que ele pediu a Júlia para assinar o contrato na área montanhosa?
Um frio lhe percorreu a espinha.
Ele ligou para Júlia, para a equipe do projeto e para a recepção da Império Mídia.
A única notícia que recebeu foi de que Júlia ainda não retornara à Cidade N.
Éder correu atrás dele até o estacionamento subterrâneo.
Quando percebeu que ele realmente pretendia ir atrás dela, ficou perplexo.
Sérgio paralisou por um segundo.
Não fazia a menor ideia de que carro Júlia dirigira naquele dia.
Logo, o policial foi acionado para outro local.
Sérgio ficou ali, debaixo de chuva, vendo as luzes de emergência piscarem sob a escuridão noturna.
Os veículos ficaram parados na rodovia durante a noite inteira.
Somente ao amanhecer, a barreira foi removida.
Ignorando os riscos na área afetada, Sérgio seguiu cego pela navegação.
Ele estacionou do outro lado da rua. Assim que desligou o motor, viu Júlia e Lucas saírem, um após o outro.
Júlia usava o paletó de Lucas sobre os ombros, o qual parecia imenso nela, fazendo a sua silhueta parecer ainda mais delicada.
Lucas seguia logo atrás, com as mangas da camiseta enroladas frouxamente, rindo enquanto conversava com o proprietário do local.
E, mesmo assim, não se esquecera de ajudar Júlia a descer a escada.
Os movimentos entre eles eram íntimos e tão naturais que pareciam marido e mulher.
O coração de Sérgio desabou no peito.
Aquela visão ofuscava a sua vista.

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