Assim como o trabalho dele também não precisava da intervenção de Júlia.
Desde que Tiago descobrira que Júlia era a esposa de Sérgio, andava com um nó na garganta.
Ele não queria deixar Júlia ser jogada aos leões, nem desejava roubar descaradamente a mulher do amigo.
Nesses últimos tempos, estava quase entrando em depressão.
Tiago sentia um pouco de raiva e uma profunda incompreensão.
Por que raios Sérgio teria uma esposa?
As palavras de Tiago, no entanto, causaram um certo impacto em Sérgio.
Especialmente quando viu a petição de divórcio enviada pelo Sr. Xavier, sentiu ainda mais vontade de fazer algo a respeito.
A assistente guardou o aromatizador de ambientes preferido da esposa do chefe e, ao se virar, deparou-se com ele a encarando imóvel.
— Di-Diretor Santana?
Sérgio perguntou se ela gostaria que seu parceiro a ajudasse no trabalho.
— Depende da situação, mas eu pessoalmente não gosto muito — respondeu a assistente.
Logo ela se deu conta de que o Diretor Santana estava tentando agradar à esposa.
No fundo do coração, ela dava gritinhos de empolgação ao ver o romance acontecendo.
— O senhor poderia dar um presente à sua esposa. De preferência em uma data especial, para dar um ar de cerimônia.
Sérgio assentiu com a cabeça e dispensou a assistente para voltar aos seus afazeres.
Logo em seguida, mandou Éder comprar um conjunto de joias.
— O aniversário da Sra. Júlia já passou. O que devo escrever no cartão personalizado? — perguntou Éder.
Sérgio lembrou-se da cobiça nos olhares dos outros quando falavam de Júlia no coquetel, e um alarme soou em sua mente.
— Você sabe quando é o aniversário de Júlia?
— O senhor... não sabe o aniversário da sua esposa? — Para sua surpresa, Éder pareceu ainda mais perplexo do que ele.
Sérgio finalmente se lembrou.
— Se eu fosse o senhor, não escolheria joias. Aquela pulseira de aniversário que lhe deu da última vez... — Éder escolheu as palavras com cuidado.
— Ela não aceitou, eu me lembro.
— Não é isso. O que eu queria dizer é que eu a resgatei da lixeira.
— Éder, encomende um carro para mim.
— Para uso particular. Registre a placa no nome de Júlia.
No fim, Sérgio escolheu um Bentley Mulsanne que custava dezenas de milhões.
Era extremamente confortável e oferecia alta segurança.
E, nas anotações de Éder, ele também encontrou o pretexto para o tal "ar de cerimônia":
O aniversário de um ano do primeiro encontro dos dois.
Quando Sérgio apareceu em frente ao prédio de Júlia, não imaginava que seria rejeitado de forma tão contundente.
Ao ver o carro, Júlia mal sabia o que dizer.
Na verdade, sentiu uma dor aguda, como se uma ferida antiga tivesse sido reaberta.
O carro dela havia sido danificado na ocasião em que foi perseguida por paparazzi. Como precisava dele com urgência, fizera apenas um conserto rápido, e a porta lateral ainda exibia um pequeno amassado.
Júlia atirou a chave do veículo de volta no peito de Sérgio.
— Sérgio, pegue a sua pessoa e o seu carro, e dê o fora da minha casa — alertou ela, pronunciando cada sílaba pausadamente.

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