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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 230

Júlia arregalou os olhos, encarando Sérgio.

Tentou encontrar algum traço de brincadeira na expressão dele.

Mas não encontrou.

Quando ele disse aquilo, falava muito sério.

Naquele instante, Júlia finalmente compreendeu a gravidade da sua situação.

Estava num lugar desconhecido.

Sem celular, sem internet, isolada de todas as pessoas que conhecia.

Com a fortuna e a influência que Sérgio tinha, ele poderia facilmente fazer qualquer um desaparecer sem deixar rastros.

Júlia não percebeu que sua voz estava tremendo.

— Sérgio, o que afinal você quer?

O que ele queria?

Nem o próprio Sérgio sabia ao certo.

Quando descobriu que Júlia o havia traído durante o casamento e que esperava um filho de outro.

Ele teve vontade de espancar aquele tal de Lucas até a morte.

E arrancar o bastardo de dentro da barriga de Júlia.

Mas fazer isso indubitavelmente deixaria a relação dos dois ainda pior.

Sérgio não ia para casa há dois dias e não descansara direito; ele achava que sua cabeça devia estar com problemas.

Por isso a trouxera até ali, para que pudesse repousar durante a gestação.

Por Júlia, ele engoliu até o fato de usar um chapéu de corno e ter que assumir o filho de outro.

E, no entanto, ela exibia um rosto cheio de defesas e ainda lhe perguntava o que ele queria?

Ah.

Sérgio chacoalhou o suco de uva da ponta dos dedos e soltou três palavras.

— Coma as frutas.

Júlia o encarava, meio incrédula e meio receosa.

Não tinha apetite algum, pelo contrário, sentia nojo, mas forçou-se a engolir as uvas doces.

Os dois ficaram em silêncio. A atmosfera à mesa de jantar era bizarra.

Como se estivessem num velório.

Júlia no início tinha uma ponta de esperança de que aquilo fosse só um capricho momentâneo de Sérgio.

Mas se passaram mais dois dias.

Ninguém veio procurá-la, e Sérgio não deixou a mansão.

Durante as filmagens, a cada dia que ela não aparecesse, os custos aumentariam absurdamente.

Júlia não queria ficar ali esperando a própria ruína.

Júlia o reconheceu: era o roteiro dela, com uma capa feita à mão.

— Estava com você naquele dia. Se estiver com tédio, leia isso.

Júlia pegou o roteiro.

Antes que ela saísse pela porta, Sérgio fez outro alerta.

— Como eu já avisei, se não for capaz de ficar aqui numa boa, posso muito bem mandar o médico vir aqui.

Ao dizer isso, ele baixou o olhar e encarou o ventre de Júlia.

A cada vez que olhava, seu asco aumentava.

— Eu não tenho o dever de sustentar a criança que você fez com outro homem. Mesmo que eu tenha cometido os meus erros antes, nós dois agora estamos quites, Júlia.

— Enquanto não nasce, ela não tem todos os direitos humanos completos. Existem mil e uma formas com as quais eu posso fazer ela sumir deste mundo razoavelmente, e você sabe disso.

Júlia estava parada num ponto com pouca luz e, após ouvi-lo, seu rosto ganhou um tom apático e cinzento.

Por um momento fugaz, ela até pensou em revelar tudo, afinal de contas, e daí que ele soubesse que o filho era dele?

Mas no segundo seguinte, descartou a ideia.

Considerando tudo o que Sérgio estava fazendo, era fato que ele lutaria com unhas e dentes pela guarda da criança.

Júlia deixou apressadamente o escritório e só respirou fundo ao alcançar o fim do corredor, como alguém que finalmente volta à superfície após prender o fôlego sob a água.

À tarde, usando a desculpa de dar uma volta, ordenou à empregada que retornasse para buscar algo.

E ela mesma caminhou até perto do muro.

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