Algumas fotos que pareciam ser de Júlia, além de palpites de outras pessoas sobre voos e itinerários.
Sérgio clicou, ampliou a imagem, suas mãos tremiam levemente.
Na foto, a mulher estava com o lindo cabelo cacheado preso em um coque baixo, usando um boné, exalando muita elegância.
Mesmo não estando muito nítida, Sérgio a reconheceu no primeiro instante: era Júlia.
Era a sua Júlia.
Ela parecia ter emagrecido, mas continuava muito bonita.
Quando Sérgio se infiltrou no grupo de fãs, ele achou que conseguiria ouvir a voz de Júlia, já que o Éder lhe dissera que algumas celebridades interagiam com os fãs.
Mas quem diria: por longos três anos.
Ele não vira Júlia uma única vez.
Não tinha ouvido uma única notícia sobre ela.
Muito menos ouvido a voz dela.
Só de pensar nisso, os olhos de Sérgio ficaram um pouco vermelhos.
Logo, alguns fãs apareceram para desmentir.
[Acho que isso não é verdade. Olhem a foto, parece ser um aeroporto do exterior.]
[É verdade, o estúdio não publicou nada pra confirmar, isso significa que ela ainda está fora.]
O coração de Sérgio disparava e despencava, como num bungee jump.
— Éder.
— Não, esquece.
Sérgio decidiu ir ele mesmo esperar na frente do prédio do apartamento de Júlia.
No passado, quando Júlia morava ali, ele só tinha ido uma vez.
Agora, ele conhecia o layout do condomínio, o parque logo abaixo, e até mesmo os cachorros dos vizinhos como a palma da mão.
Em todos os dias seguintes, assim que saía do trabalho, Sérgio corria para o parque do condomínio.
Sua expectativa era como uma lâmpada acesa na chuva, tremeluzindo ao vento.
As luzes do apartamento de Júlia permaneciam apagadas.
Ele ligou a tela do celular.
Sérgio localizou um número muito familiar.
Era o número que ele havia ignorado inúmeras vezes no passado.
O número de Júlia.
Agora ele sabia aquilo de trás para frente.
E ainda havia salvo o contato como "esposa".
Sérgio, nos dias e noites que ninguém sabia, ligou repetidas vezes.
O telefone já constava como inexistente há muito tempo.
Não havia mais ninguém para esperar, ninguém para atender.
Sérgio acendeu um cigarro, perdido em pensamentos.
Especialmente meninas.
Então assentiu, contido.
— Entendi.
Por coincidência, Dora vestia um macacãozinho que tinha um bolso na barriga.
De um azul claro, parecia incontáveis números menor do que roupas de adulto.
Muito fofo e adorável.
— Do bolso do Doraemon, pra você!
Sérgio não entendeu nada do que ela ia fazer.
Até que Dora puxou as grandes mãos dele.
— Bala de uva. A mamãe diz que se a gente ficar triste, vira um velhinho.
Sérgio percebeu que ela adorava repetir algumas palavras, e sorriu compreensivo.
De quem seria aquela criança?
Como era tão fofa?
E olhando bem de perto, parecia ter traços muito familiares.
Sérgio, no início, estava um pouco deprimido.
Mas agora ficou curioso:
— Por que você disse que eu estou triste?

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