[PQP, eu vi direito? Quem acabou de entrar na live foi o Diretor Franco?]
[Haha, amiga, você tem um microscópio, é? É ele mesmo. O Diretor Franco mima demais, meu Deus, eu shippo muito!]
[Morta de rir! Ele está usando a conta oficial da Império Mídia? Não precisa de microscópio, só sendo cego para não ver. Ele entrou soltando fogos de artifício!]
[Isso não é querer exibir a esposa descaradamente?]
Enquanto isso, no escritório do presidente do Grupo Oceano Internacional.
Sérgio Santana havia feito o impensável e adiado a reunião para a noite.
Um homem que costumava ser decisivo e implacável nos negócios estava, incrivelmente, sentado em sua espaçosa cadeira de couro, brincando no celular.
À sua frente não havia uma pilha de relatórios ou documentos de projetos.
Em vez disso, seu celular, tablet e o monitor de 32 polegadas do computador estavam todos ligados.
Todos transmitindo o tapete vermelho de Júlia.
Éder, parado ao lado, tentava não demonstrar reação, pensando consigo mesmo que aquilo era surreal.
Quem poderia imaginar que o grande presidente Sérgio, capaz de abalar os índices financeiros com um simples pisão no chão, estava ali completando missões de fã, uma a uma?
Marcando presença diária, curtindo, comentando, compartilhando, aumentando o nível de sua conta incansavelmente.
Éder olhou de soslaio para a conta verificada de nível 15, querendo rir, mas constrangido demais.
Se fosse só isso, estaria bom.
Mas poucos minutos depois, Sérgio começou a enviar gorjetas na live.
Bem na hora em que os fãs estavam suspirando pelo casal.
Um ID discreto surgiu do nada.
Foguetes, iates, carros esportivos foram doados sem parar, com tanta rapidez que mal dava para ler a tela.
Os fãs de Júlia ficaram perplexos.
[Que p*rra é essa? Nível 15, não vi errado, né?]
[Isso mesmo. É um fã de carteirinha, daqueles que são chefões no fã-clube e sempre bancam as doações para a JG.]
Tinha visto no acordo de divórcio da mamãe.
Quando estava ajudando a mãe a procurar uma máscara facial, uns dois dias atrás.
O Papai Lucas também havia dito que o pai dela era apenas um funcionário qualquer. Devia ser dessa empresa, a Oceano, certo?
O coraçãozinho de Dora se encheu de curiosidade e um sentimento de pertencimento.
Ela queria saber como o pai dela se parecia.
Os pastéis de nata precisavam ser assados na hora.
Dora revirou os olhinhos e aproveitou a distração de Tati pagando a conta para escapar de fininho.
A brisa noturna levantou a ponta do vestido dela, enquanto a sua pequena figura corria por entre as construções de aço e concreto, sendo invisível aos olhares distraídos.
Quando Tati terminou de pagar, a pequena Dora já havia sumido de vista.
Dentro do prédio, os executivos de roupas formais entravam e saíam, todos parecendo apressados.
Ninguém percebeu quando a menininha de três anos seguiu uma pessoa que passava o crachá e se infiltrou nos escritórios.

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