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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 302

Ao ver as lágrimas da filha, o coração de Júlia apertou dolorosamente.

Um pânico sem fim tomou conta dela.

— Senhora, o Diretor Santana foi buscar a pequena na creche hoje ao meio-dia e a levou para casa.

Ao ouvir isso, uma fúria avassaladora destruiu completamente a razão de Júlia.

Quase rangendo os dentes, ela esbravejou:

— Como Sérgio tem essa coragem? Isso é violação de guarda infantil, é crime!

O Sr. Amaral, sendo advogado, entendia.

Ele assentiu com a cabeça:

— De fato, se a guarda está com a senhora, essa ação acarreta riscos de acusação por cárcere privado. Mas não é justamente sobre isso que estamos conversando?

— Afinal, a senhora e o Diretor Santana foram casados. Eu acredito que...

— Nós deixamos de ser há muito tempo!

Júlia bateu na mesa e se levantou, os olhos faiscando de raiva.

Ela pegou seus documentos, agarrou a bolsa e partiu direto para aquela mansão.

Júlia estacionou o carro, digitou a senha e abriu a porta.

Todos esses movimentos já haviam sido feitos incontáveis vezes, como uma maldita memória muscular.

Ouvindo o barulho, Sérgio Santana saiu para ver quem era.

Ele usava roupas de ficar em casa em tons claros e caminhou até ela com mais pressa do que o normal.

Júlia sequer percebeu que a decoração da mansão estava idêntica a quando ela havia partido.

Sérgio havia pedido ao departamento de TI para recuperar as gravações das câmeras de segurança do hall, reconstruindo tudo detalhe por detalhe.

Desde os quadros decorativos na parede, passando pelas almofadas cor de abóbora no sofá, até as plantas na varanda.

Tudo estava exatamente como antes.

Sérgio lançou um olhar profundo a Júlia.

— Cadê a Dora?

Júlia empurrou Sérgio e subiu as escadas apressadamente.

Quando ela já estava na metade do caminho, Sérgio respondeu:

— Ela não está aqui. A levei para o Solar Santana para ficar com minha avó. Ela está bem, não precisa se preocupar.

A silhueta de Júlia paralisou na escada.

Sérgio viu o exame de DNA nas mãos dela e disse:

— O Sr. Amaral já falou com você.

— Eu me esforcei.

Sérgio sentiu que havia torcido o pé e decidiu não se levantar, apoiando os braços nos joelhos.

Parecia ter desistido de tudo, como quem já não se importava mais com as consequências.

— Eu te liguei, esperei embaixo do seu prédio, até comprei o apartamento abaixo do seu. Queria me aproximar aos poucos da Dora, para que você e a criança me aceitassem gradualmente.

— Mas você, no momento em que me via, chamava a polícia. Rejeitou tudo o que tentei fazer e ainda permitiu que a minha filha chamasse outro homem de pai.

— Eu não tive escolha.

Sérgio franziu a testa profundamente.

Júlia ficou chocada com a atitude descarada dele de se fazer de vítima enquanto era o culpado.

— Há três anos, assim que assinei o divórcio, eu me arrependi. E pensei muito sobre isso.

— Júlia, você diz que era apenas hábito. O hábito de ter seus cuidados meticulosos, o hábito de ter você sempre nas minhas costas.

— Você não está errada, mas não é só isso.

O pomo de adão de Sérgio se moveu lentamente, e seu maxilar ficou tenso. Era como se algo estivesse entalado em seu peito, impossível de engolir ou cuspir.

Após um instante, ele soltou um sorriso de autodepreciação.

Sérgio baixou o olhar, encarando a sombra no chão. Suas costas curvaram-se ligeiramente, dando-lhe um ar decadente e derrotado.

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