— Eu acho que realmente gosto de você. Talvez eu... te ame.
Do contrário, ele não teria passado dia após dia lembrando-se de Júlia após o divórcio.
Não se lembrava dela o seguindo para todo lado, nem cozinhando para ele na cozinha.
Mas sim da forma como ela brilhava intensamente nas telas do cinema.
De como ela parecia ter perdido a alma quando vivia naquela mansão na montanha.
Sentia admiração e compaixão.
Preocupou-se com o bem-estar dela durante a gravidez.
Mesmo que na época pensasse que Dora era filha de outro, isso não importava nem um pouco para ele.
Ao ouvir isso, Júlia ficou atônita.
Ela apertou o corrimão da escada, quase chorando de tanto rir.
— Sérgio, suas habilidades de atuação são muito boas.
Sérgio puxou o ar trêmulo.
— Eu não estou fingindo!
— Então você é doente!
Júlia sentiu-se engolida por um tremendo senso de absurdo.
Se Sérgio nunca a houvesse amado, esse desfecho seria apenas a consequência natural.
Mas e agora? O que era aquilo?
Júlia fitou intensamente os olhos cheios de dor e remorso de Sérgio.
— Você gosta de mim, e por isso, quando sua amiga de infância voltou ao país, permitiu que ela tramasse contra mim, me humilhasse e roubasse tudo o que era meu?
— Você me ama, e por isso nunca me respeitou? Preferiu acreditar nas lágrimas falsas de outra pessoa e ignorou completamente a sinceridade que lhe dediquei dia após dia?
— Que piada.
Júlia deixou as lágrimas escorrerem livres pelo seu rosto.
E então perguntou, com a mais pura honestidade.
— Sérgio Santana, você é masoquista ou o quê?
— Ou será que apenas cometeu o erro que todo homem comete?
Sérgio viu Júlia rindo entre lágrimas, tão consumida pelo ódio que mal conseguia respirar.
Ele sentiu o próprio coração sendo rasgado ao meio, a sangue frio.
Virou o rosto, os olhos já úmidos.
— Então... será que pode me dar mais uma chance?
— Eu juro...
— Poupe-me.
A voz de Júlia estava embargada, mas inabalável.
— Ela receberá todo o tipo de atenção por sua causa, por nossa causa, a ponto de nem conseguir ir para a creche em paz.
Júlia fulminou Sérgio com o olhar, uma sede assassina em seus olhos.
Sérgio abriu um sorriso amargo.
— E mesmo que você esteja disposta a arriscar isso, garanto que não conseguirá a guarda.
— Porque eu posso boicotar sua carreira e cortar qualquer caminho que queira trilhar nos bastidores.
— Você com certeza acha que Lucas Franco e a Império Mídia são seus escudos, não é?
A voz de Sérgio gradualmente recuperou a estabilidade.
— Se antes eu os deixei em paz, foi porque achei que nossa situação ainda não havia chegado a um ponto em que precisaria recorrer a golpes baixos.
— Agora é diferente. Você pode tentar, Júlia. Eu garanto que não só a Império Mídia, mas até o Grupo Franco será afetado.
A respiração de Júlia estava ofegante.
Ela olhou de relance para as facas na cozinha.
Mas seu celular tocou de repente.
Era Lucas Franco.
Ao ver isso, o canto da boca de Sérgio se ergueu num esgar:
— Atenda. Ele vai te decepcionar.

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