— Não vou deixar você falar mal da minha mamãe, a minha mamãe é a melhor de todas, ela não é pão-dura, eu amo a minha mamãe! — exclamou Dora, que já havia se soltado de Dona Eunice, erguendo o queixo para Simone Santana.
Júlia já caminhava a passos largos em direção à filha.
— Olha só a Júlia, ensinou a filha a ficar tão mal-educada — ironizou Simone Santana, enquanto soltava um "Vejam só".
Ela a empurrou de lado de uma vez.
— Mamãe... — murmurou Dora, com as lágrimas já girando nos olhos.
O coração de Júlia ardia de raiva, ela lançou um olhar para Dona Eunice, pedindo para que levasse Dora para procurar a bisavó.
Só depois que a criança saiu, ela soltou uma risada fria.
— Achei que alguém estivesse me ajudando a educar a minha filha.
— Mas vejo que é a Tia Simone, a pessoa que melhor sabe educar crianças.
— Ainda me lembro muito bem do caso de Osvaldo, que teve o noivado desfeito porque não tinha o menor pingo de educação. A Tia Simone não foi para casa refletir sobre isso? — perguntou ela.
O rosto de Simone Santana alternou entre verde e branco.
— Júlia, de quem você está dizendo que não tem educação?!
— Quem propositalmente mandou o cozinheiro embora só para arranjar confusão e depois, por não ter carne para comer, ficou chamando pela mamãe na mesa de jantar, é exatamente sobre essa pessoa que estou falando — respondeu Júlia.
— Você! Você... muito bem.
Tia Beatriz, vendo a situação, começou a puxar Simone Santana para trás.
— A sua filha é quem fica chamando pela mãe por qualquer coisa! — exclamou Simone Santana indignada.
— A minha filha tem três anos. Por acaso, quantos anos o Osvaldo tem? — rebateu Júlia, erguendo as sobrancelhas.
Os olhos de Simone Santana ficaram vermelhos ao ouvir isso.
Ela começou a bater no peito e bater os pés de frustração.
Com a ponta dos dedos tremendo.
— Tia Beatriz, sugiro que você também vá para casa, com a educação que a Tia Simone tem, se ela tiver Parkinson, é capaz de colocar a culpa em você — advertiu Júlia, lançando-lhe um olhar cortante.
Tia Beatriz soltou-a instintivamente.
Simone Santana, que estava encenando empolgada, não esperava perder o equilíbrio e caiu de bunda no chão.
Júlia já estava indo embora com o som dos seus saltos altos.
Assim que essas palavras foram ditas, as expressões das outras pessoas mudaram.
Por consideração ao prestígio de Sérgio, eles não se atreveram a dizer nada sobre Dora, mas os olhares dirigidos a Júlia carregavam pena.
Como se dissessem: Essa criança, criada pela mãe desde pequena, acabou estragada.
— Dora, você não pode falar de maneira tão mal-educada, está bem? — Sérgio massageou o centro das sobrancelhas e corrigiu a criança gentilmente.
Embora Dora fosse esperta, era muito nova e, naquele momento, não conseguia se expressar direito.
Júlia achou cômica a falta de vergonha na cara de Simone Santana.
Sem continuar discutindo, simplesmente pegou o celular, aumentou o volume da gravação no máximo.
A conversa no jardim foi nitidamente reproduzida para todos ouvirem.
Sérgio, Dona Helena Santana e os executivos presentes ouviram tudo com absoluta clareza.
O tom arrogante de Simone Santana ecoou primeiro, soltando uns "Ai meu Deus" sem nenhuma classe.
— Que roupas baratas são essas... Não é como o nosso Bernardo...
— A mamãe é pão-dura, nós não gostamos dela...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!