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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 321

Sérgio não esperava que aquele véu de discrição fosse arrancado pela filha com a expressão mais inocente do mundo.

— Eu me dou muito bem com a mamãe, sim. É que antes ela precisava tomar remédio sempre, e quando estava dormindo não gostava que eu fizesse barulho.

— O Tio Lucas disse que é porque a mamãe sentiu muita dor quando me deu à luz, e por isso ficou no hospital o tempo todo.

As palavras de Dora eram ambíguas.

A intuição de Sérgio dizia que a situação não era tão simples assim.

— Como eram os remédios que a mamãe tomava?

Dora não soube explicar direito.

— Branquinhos e redondinhos.

O coração de Sérgio apertou-se no peito.

Sentia curiosidade, preocupação e a leve dor lancinante de quem começava a vislumbrar a verdade.

Pela primeira vez em sua vida, compreendeu o que significava ter as entranhas retorcidas pela angústia.

Sérgio ajeitou as cobertas ao redor de Dora.

Sem dizer uma palavra, pegou Júlia nos braços.

Dora piscou os olhos e escorregou para debaixo das cobertas, deixando apenas os olhinhos de fora, com uma expressão de quem acompanhava um grande espetáculo.

Sérgio sentiu que a mulher em seus braços estava muito mais leve.

Seu nariz ardeu levemente.

Como esperado, Júlia despertou sobressaltada e debateu-se de leve.

Àquela altura, as luzes do quarto de Dora já estavam apagadas, e o corredor encontrava-se imerso em profunda escuridão.

Ele forçou um tom de calma:

— Não se mexa. A Dora adormeceu, eu só vou levá-la de volta para o seu quarto. Não farei mais nada.

Júlia não acreditou em uma palavra.

Ela empurrou Sérgio e quase caiu no processo, mas por sorte já haviam chegado à beira da cama.

Depois de soltá-la, Sérgio não disse nada, tampouco demonstrou raiva.

Permaneceu descalço, em silêncio por um momento.

Por pouco não conseguiu conter a pergunta que lhe subia à garganta.

Como haviam sido, de fato, os anos que se seguiram ao divórcio?

A gravidez e o parto haviam sido muito difíceis?

Quando ia ao hospital e via as outras grávidas acompanhadas por suas famílias, ela sentia... tristeza?

Aquelas palavras atropelavam-se, presas em sua garganta.

Como se inúmeras pedras gigantescas tivessem desmoronado de repente sobre uma represa, bloqueando completamente a passagem.

— Você já pode sair.

Júlia apoiou as mãos na cama e lançou a Sérgio um olhar defensivo e desconfiado.

Bernardo fez um bico de choro.

Seus olhos se encheram de lágrimas contidas.

Ele não conseguiu pronunciar uma única palavra.

Porque suas falas haviam sido roubadas.

Por mais estranho que parecesse, quando Bernardo dizia aquelas palavras, Dona Helena Santana sempre via nele a sombra de Clarice Cardoso.

Mesmo que ela tentasse consolá-lo, no fundo sentia certo desprezo por aquela atitude.

Porém, quando Dora o imitava, seu olhar era direto e aberto. Não havia aquela falsa timidez dissimulada, mas sim uma vivacidade travessa.

Dona Helena segurou o riso para não deixar Bernardo ainda mais chateado.

— Está bem, está bem. Parece que a família Santana vai ter mais uma atriz prodígio.

Sérgio, que antes mantinha uma expressão sombria, também relaxou as sobrancelhas ao ouvir aquilo.

Ele deu um sorriso de resignação.

— Não se conversa à mesa, nem na hora de dormir.

— Você também, trate de comer direito. Um menino não deve chorar por qualquer coisinha.

Bernardo falou entre soluços:

— Eu quero voltar para a casa da minha mãe.

— Pode ir.

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