[Nem precisa pensar, com certeza para a sala da presidência! O chefe ainda disse que a partir de agora ela nem precisa se registrar, é só usar o elevador privativo! Que romântico!]
[Ver de perto? Você por acaso já esqueceu a cara de gelo que o chefe costuma ter? Quer morrer, é?]
Sérgio levou Júlia para seu escritório e pediu à Assistente Ding que servisse algumas bebidas a ela.
Agora ele sabia que o café, para Júlia, era apenas uma ferramenta para mantê-la desperta. Seu paladar era parecido com o de Dora: ambas preferiam doces.
Ao ver o suco de laranja e o batido de frutas diante dela, Júlia olhou para Sérgio.
— Apenas um copo é suficiente.
Sérgio baixou a temperatura do ar-condicionado em dois graus.
E disse, com naturalidade:
— Pode escolher. Eu tomo o que sobrar.
Júlia conhecia os gostos de Sérgio.
Ela franziu as sobrancelhas, mas não disse nada.
A Assistente Ding comentou com um sorriso:
— O presidente sabia que a senhora viria para a reunião hoje, e me pediu especificamente para comprar.
Sérgio estancou no meio de um movimento.
Pigarrando para disfarçar.
Alguns minutos depois, Éder avisou que o Sr. Guerra havia chegado.
Júlia seguiu Sérgio para a sala de reuniões.
Na sala de reuniões VIP, o ambiente exalava um aroma diferente, uma fragrância fria que se mesclava ao cheiro do ar-condicionado e dos papéis.
Júlia viu o Sr. Guerra imediatamente.
Ainda hoje, era capaz de relembrar tudo o que acontecera naquela noite.
Se não tivesse encontrado uma forma de escapar, a essa altura sua reputação já estaria arruinada.
Um profundo desconforto invadiu o peito de Júlia.
Sérgio percebeu no mesmo instante:
— Não está se sentindo bem?
Júlia acomodou-se ao seu lado:
— Vamos falar sobre o projeto.
O Sr. Guerra estreitou os olhos, examinando Júlia e depois Sérgio.
Seu olhar percorreu o corpo de Júlia de cima a baixo, antes de ele estender a mão.
— Há alguns anos que não nos vemos. A Senhorita Guedes continua tão... deslumbrante, e com um porte ainda mais elegante.
Sérgio detestou o modo como o Sr. Guerra a olhava.
A expressão de ambos mudou ligeiramente.
O Sr. Guerra recolocou a caneta no bolso do terno.
— Só que me lembro de, na última vez, ver o Diretor Santana acompanhado de outra bela jovem. Era uma velha conhecida do Sr. Lima... Acho que o nome dela era Clarice...
— Clarice Cardoso.
Éder completou a frase por ele.
— A Senhorita Cardoso ocupou o cargo de vice-presidente da Agência Estelar. O senhor a conhece?
O Sr. Guerra baixou o olhar, acompanhando seu próprio assistente recolher os documentos.
Soltou uma risada de duplo sentido.
— Conheço, sim. Nós nos encontramos na última vez. É claro que a conheço.
— É que, naquela ocasião, achei que o Diretor Santana e a Senhorita Cardoso fossem um casal. Eu realmente não esperava...
Júlia já se levantara de sua cadeira.
O Sr. Guerra mudou de assunto agilmente:
— Deixa para lá. Espero ter outra oportunidade de ver a Senhorita Cardoso. Diretor Santana, todos somos velhos conhecidos. Que tal marcarmos um encontro?
— Nossa parceria está apenas começando. Espero que não me recuse.

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