Desta vez, o Sr. Guerra havia retornado ao país exclusivamente por causa desse projeto.
Por regra, Sérgio, no papel de anfitrião, deveria convidá-lo para um almoço de negócios. Sendo assim, aceitou a proposta.
Júlia também não viu motivos para recusar.
Quando Lucas estava no país, ele costumava comparecer em seu lugar. Porém, agora, ela era a única sócia apta a representar a empresa.
Sérgio entrou no carro.
— Se você não quiser ver a Clarice...
Júlia olhou para a janela:
— É apenas um almoço de negócios. Pode convidá-la se quiser.
Afinal de contas, o Sr. Guerra fora trazido por Luciano Lima devido ao prestígio da família Cardoso. Já que o homem havia pedido, Júlia não ofenderia o investidor por capricho.
Desde que Sérgio revelara sua relação com Júlia naquela transmissão ao vivo...
Clarice Cardoso havia se tornado o principal motivo de piada na internet.
Sempre que alguém se lembrava dela, ia até as suas redes sociais para despejar insultos.
Por conta disso, Clarice passara a sair cada vez menos.
Ao receber de súbito o convite de Sérgio para um jantar, Clarice ficou nervosa e feliz ao mesmo tempo.
Ela começou a se maquiar com duas horas de antecedência.
Sem se esquecer de ligar para Bernardo.
— Bernardo, peça licença ao seu professor particular. Você não terá aula hoje. Vamos sair para jantar.
— Quero que você se comporte muito bem. Quando encontrar o seu pai, seja um bom garoto, ouviu?
O restaurante ocidental escolhido por Sérgio ficava perto do Império Mídia.
Dessa forma, Júlia poderia ir direto do trabalho para lá.
Quando Clarice chegou ao térreo do restaurante, avistou Éder.
Surgia um fato relevante: os dois assistentes de Sérgio tinham hierarquias diferentes. Quando Éder assumia uma tarefa, significava que o assunto era de grande importância.
Os olhos de Clarice transmitiam uma leve alegria, e o canto de seus lábios curvava-se em um sorriso que ela não conseguia esconder.
— Você veio pessoalmente me buscar?
Ela ajeitou os cabelos com cuidado:
— O Sérgio continua fazendo as coisas com tanta cerimônia.
Ao notar a presença de Bernardo, Éder não pôde evitar o franzir da testa.
Engolindo o desgosto e a repulsa que lhe apertavam o peito, Clarice abaixou-se imediatamente.
— Onde está doendo? É a sua barriga? Éder, acho que o Bernardo não está em condições de ir ao jantar hoje. Melhor não deixar que uma criança atrapalhe a conversa dos adultos.
— Quê? — Bernardo estava prestes a dizer que fora ela mesma quem insistira para ele ir e impressionar o pai.
Mas Clarice lançou-lhe um olhar furioso, fora da visão de Éder.
Ela virou-se para perguntar:
— Éder, você poderia levá-lo de volta e deixá-lo no carro com o motorista por um tempo?
— Tudo bem. O restaurante fica no 22º andar. A senhora pode subir sozinha.
Ao ver Bernardo afastar-se, olhando para trás a cada três passos, Clarice sentiu-se aliviada temporariamente.
Soltou um longo suspiro e seguiu o recepcionista até o salão.
Leonel conversava com Sérgio sobre o projeto. Júlia estava sentada ao lado, dando sua opinião de vez em quando.
Desde quando aqueles dois se tornaram pessoas do mesmo nível?
Apesar de não entender nada, Júlia fingia participar da conversa. Isso era o fim!
Ao ver Clarice aproximar-se, Leonel fez um aceno de longe.

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