— O que eu faço? O que eu devo fazer?
Ao ver os assuntos mais comentados na internet, Clarice tremia da cabeça aos pés.
Ela ligou para casa.
— Mãe, eu preciso de dinheiro. Preciso de vinte milhões, e rápido.
Ao ouvir isso, a máscara facial de Marlene até escorregou de seu rosto.
— Para que você precisa de tanto dinheiro?
Essa quantia não seria nada para a família Cardoso de antigamente, mas como Marlene havia drogado Sérgio anteriormente, ofendendo-o, os negócios deles na Cidade N haviam sofrido perdas imensas.
Clarice batia o pé de impaciência:
— Mãe, não faça perguntas! Eu quero o dinheiro, eu preciso de dinheiro, não está me ouvindo?!
Marlene fez um sinal para a gerente da clínica de estética, pedindo que esperasse um momento.
Caminhou até um canto antes de falar:
— Clarinha, você também conhece a situação da nossa família. Desde que eu fui solta, o seu pai questiona tudo. Vinte milhões não é uma quantia pequena, me diga a verdade.
As perguntas insistentes fizeram Clarice explodir.
— Perguntas, perguntas, você só sabe fazer perguntas! Eu preciso contratar relações públicas para abafar os assuntos do momento, preciso fazer com que o Sérgio acredite em mim. Ele com certeza vai acreditar, eu sei que vai.
Ouvindo o murmúrio neurótico da filha, Marlene abriu o celular.
O incidente havia acontecido há apenas uma hora, ela realmente não estava sabendo.
Quando finalmente compreendeu a causa de tudo, prendeu a respiração em choque.
No dia seguinte, Marlene voou para a Cidade N.
— Clarinha, o que está acontecendo com esses comentários na internet?
— Claro que é tudo boato daquelas pessoas!
— Eu vou processá-los, todos os que estão falando bobagens vão parar na delegacia!
De forma inconsciente, as pontas dos dedos de Clarice arranhavam repetidamente o tecido do sofá, variando a força. Ao ser questionada, seu olhar atravessou Marlene como uma lâmina afiada e, logo depois, desviou-se de forma errática, sem a menor transição.
Marlene observava aquilo com o coração aos pulos.
Se fossem apenas boatos, ela não estaria tão nervosa, um nervosismo que beirava a neurose.
— Ainda não vai contar a verdade para a sua mãe?
— Você é minha filha, e o Bernardo é meu neto. Se você me contar, só assim poderei te ajudar.

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