Os internautas ficaram chocados ao ver os efeitos especiais de fogos de artifício.
Aquele usuário devia ter desembolsado mais de cem mil, não?
[Ofereço minha reverência a esse paizão ricaço.]
[Paizão ricaço, dá uma olhada no meu ídolo, por favor! Me leva junto!]
[Alguém aí consegue descobrir a identidade desse top 1? Estou muito curioso. Que figurão é esse que gasta mais de cem mil de uma vez só?]
[Haha, será que ele é um fã hardcore da Júlia? Será que ele não sabe que ela se divorciou? Se fosse eu, já teria ido atrás dela pessoalmente.]
[Pff, você que falou em ir atrás pessoalmente é muito engraçado. Por mais rico que esse cara seja, ele consegue ser mais rico que um certo Sérgio Santana?]
[Hahaha, acho que percebi um detalhe: o top 1 também é da Cidade N.]
Enquanto a tela fervilhava com as fofocas nos comentários.
Júlia já havia respondido a várias perguntas.
Do outro lado da tela, Sérgio leu os comentários dizendo o quanto Júlia e Hugo formavam um belo casal.
Aquilo o irritou profundamente.
Se aquele cara não estivesse sob o contrato da agência de Júlia...
A data de início das filmagens fora calculada com antecedência por um mestre de feng shui, mas, devido a problemas com as locações, a gravação propriamente dita só começaria dali a uma semana.
Júlia voltou diretamente para a Cidade N.
Ao chegar em casa, para sua surpresa, deparou-se com Éder.
— Senhora Santana, há quanto tempo.
Júlia tirou os óculos escuros e sorriu:
— Não precisa de tanta formalidade, nós nos vimos na empresa não faz muito tempo.
Éder, de certa forma, havia acompanhado a trajetória dela desde o casamento até o divórcio.
Embora seus encontros fossem sempre estritamente profissionais, Júlia sentia a familiaridade de encontrar um velho conhecido.
— Vim trazer uns documentos para o Diretor Santana. Ele deve voltar a dormir em casa nestes próximos dias.
Júlia não comentou.
Sua atenção estava totalmente voltada para aquela lista de ações e propriedades.
Será que a Mansão da Encosta estaria incluída ali?
Quando fora levada àquela mansão por Sérgio, a saúde mental de Júlia não estava das melhores.
Ela passara aquele período num estado de torpor e só tinha uma ideia vaga da localização da propriedade.
E, para piorar, seu celular fora confiscado.
Após a partida de Éder, Júlia foi direto para o escritório, abriu a pasta de documentos e começou a folheá-la rapidamente.
Como esperado, na seção de bens imobiliários, encontrou o endereço exato da Mansão da Encosta.
Júlia lembrava-se vagamente de que a mansão ocupava centenas de metros quadrados e possuía duas guaritas de segurança.
As mansões da família Santana contavam com um sistema de segurança independente. Imagens de câmeras normais só ficavam armazenadas por quinze dias. Ela se perguntava se aquele sistema independente conseguiria preservar os registros permanentemente.
Ela olhou para o computador de trabalho de Sérgio.
A tela acendeu, exigindo uma impressão digital para o desbloqueio.
O som da porta se abrindo no andar de baixo fez o coração de Júlia dar um salto.
A voz de Dona Eunice ecoou:
— A Dora chegou da creche!
Júlia soltou um leve suspiro de alívio.
Dora já vinha correndo escada acima com sua mochilinha nas costas, esquecendo-se até de trocar os sapatos.
— Mamãe!
Júlia foi atingida pelas pequenas asinhas na parte de trás da mochila, sentindo uma dorzinha doce.
— Você voltou hoje. Isso significa que não vai mais embora?
— Mês que vem a mamãe vai se juntar à equipe para trabalhar.
Júlia pegou a filha no colo e a levou para baixo para trocar os sapatos:
— Vou ficar uns dois meses sem poder voltar para casa. A Dora precisa ser boazinha e obedecer a Tia Patrícia e a Tati, combinado?
Ao ouvir isso, Dora deixou a cabecinha pender, desanimada.
Foi então que Júlia compreendeu.
Dizer que ia assistir televisão no andar de baixo era só uma desculpa; na verdade, ela estava esperando pelo pai.
Ao ver o olhar ansioso e confuso da filha, Júlia sentiu como se um pequeno prego tivesse sido cravado em seu peito.
Ela não conseguia definir exatamente o que sentia.
Era uma mistura de pena da filha e, ao mesmo tempo, como se enxergasse a si mesma através da menina.
Júlia hesitou por um momento.
— A Dora está com muita saudade do papai?
— Não é saudade...
Dora tentou se fazer de durona.
— Eu só queria alguém para brincar de médico e paciente.
— Além disso, o Bernardo também não está aqui.
Dora abraçou o tablet com as duas mãos.
— A vovó e a vovó Eunice disseram que o Bernardo vai trabalhar com o papai-tio todos os dias. É verdade?
— Então... a Dora também pode ir lá brincar?
Naquele instante, Júlia se lembrou da ordem expressa de Sérgio de não levar Dora à empresa.
— A mamãe quer fazer uma pergunta para a Dora.
Júlia deixou o que estava fazendo de lado.
— E se, de agora em diante, a Dora morasse com a mamãe numa casa diferente, e o papai só te procurasse de vez em quando para brincar de médico? O que acha?
— Igualzinho ao Tio Lucas e a Tati. Eles gostam muito da Dora, mas não moram com você.
Dora pareceu não entender e, ao mesmo tempo, ter entendido perfeitamente.
Lágrimas começaram a se formar em seus olhos.
— Mas por quê?
— É porque o papai-tio gosta mais do Bernardo?

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