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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 343

Por um instante, Júlia não soube o que responder.

Dizer que Sérgio gostava mais de Dora seria uma mentira, e ela não queria enganar a própria filha.

Mas também não suportava a ideia de decepcioná-la.

Felizmente, Dona Eunice apareceu ao ouvir a campainha tocar.

— Meu Deus do céu, como o menino Sérgio bebeu tanto de novo?

Quando Éder partira à tarde, não mencionara o que mantinha Sérgio tão ocupado ultimamente.

O motorista entrou amparando o homem completamente embriagado e curvou a cabeça para cumprimentar Júlia:

— Senhora Santana.

Júlia saiu do caminho para dar passagem.

— Por favor, leve-o para o escritório no segundo andar.

Ao ver a cena, Dora soltou um "uau".

Quando voltou correndo, trazia um pequeno estetoscópio rosa em volta do pescoço.

— Mamãe, eu sou a médica. É só eu dar uma injeção e ele vai ficar bem!

Júlia não sabia se ria ou se chorava.

Após convencer a filha a se deitar, ela não saiu do escritório de imediato. Em vez disso, tentou encontrar uma forma de usar a impressão digital de Sérgio para desbloquear o computador.

Infelizmente, só encontrou arquivos de trabalho do conglomerado.

Não havia nada parecido com registros de segurança ou gravações dos dois.

Júlia não pôde evitar uma pontada de decepção.

Quando estava prestes a sair, ouviu Sérgio começar a tossir, aparentando grande mal-estar.

O homem, que antes estava deitado de costas na cama, de repente virou-se, levantou-se e correu aos tropeços em direção ao banheiro.

No começo, Júlia pensou que ele tivesse percebido que ela mexera em seu computador.

Seu coração começou a bater descompassado.

A porta do banheiro estava aberta.

Júlia viu Sérgio cair de joelhos diretamente sobre os azulejos frios, apoiando-se no vaso sanitário enquanto tinha fortes acessos de ânsia.

Suas costas estavam encurvadas como as de um camarão. A cada espasmo nos ombros, ficavam evidentes as fortes cólicas gástricas que o afligiam.

Sérgio pressionava o estômago com todas as forças.

Com a outra mão, cujas veias saltavam visivelmente, ele agarrava-se à borda do vaso sanitário.

Júlia escutava sua respiração pesada e caótica. A tosse rouca se misturava às náuseas, a ponto de ele mal conseguir puxar o ar.

Ela nunca o vira em um estado tão deplorável.

E também achou estranho.

Quem teria a coragem de forçá-lo a beber tanto em um jantar de negócios?

Júlia hesitou por um momento, mas acabou enchendo um copo com água.

Assim que Sérgio terminou de vomitar, ela lhe entregou o copo.

Sérgio devia estar mesmo muito desnorteado, pois começou a beber sem sequer olhar.

Deu apenas dois goles e voltou a vomitar.

Foi então que Júlia se lembrou do que o médico dissera da última vez que estivera na casa.

— Se não aguenta beber, não beba.

Ao escutar aquilo, Sérgio franziu a testa, olhou em sua direção apertando os olhos e ficou imóvel por um bom tempo até reconhecê-la.

Vendo que ele havia recuperado um pouco do fôlego, Júlia fez menção de sair.

No entanto, foi impedida por uma mão escaldante que segurou a sua.

Ela puxou o braço para trás:

— Sérgio Santana, não abuse da sorte.

Como se não a tivesse escutado, Sérgio ficou a fitá-la de forma atordoada por um momento, para então começar a tirar as próprias roupas.

Ele parecia um polvo mole e sem coordenação.

Embora suas mãos parecessem ocupadíssimas, na verdade só estavam enrolando-se ainda mais no próprio paletó e camisa.

Foi com muito custo que Sérgio finalmente conseguiu se desvencilhar.

Ele então cobriu os ombros de Júlia com a própria roupa e soltou um longo suspiro de alívio.

Quando Sérgio assumira o controle da empresa, o velho patriarca acabara de falecer.

O conglomerado passava por turbulências e ele precisava garantir o controle efetivo, mas também manter a estabilidade, por isso deixara alguma margem de manobra.

O ramo do segundo filho estivera muito rebelde nos últimos anos. Mesmo após perderem o poder, eles continuavam sendo partes associadas à família que atuavam de forma independente.

Sérgio apenas fechava os olhos para aquilo.

Já o primeiro ramo da família realmente acreditava que suas manobras usando instituições para manipular as ações de circulação pública passavam despercebidas.

— Se eles querem gastar esse dinheiro à toa, que gastem. — disse Sérgio.

— O senhor pretende deixá-los comprar a preços altos agora, para que percam tudo quando os escândalos vierem a público?

No fundo, Sérgio não desejava seguir aquele caminho.

No passado, ele dedicara tanto esforço para manter a reputação da empresa e estabilizar o valor das ações do conglomerado. Agora, desejava ardentemente cortar o mal pela raiz.

Havia dois modos de se tratar uma doença.

Um era o tratamento gradual; o outro consistia em remover a carne necrosada por completo, de forma rápida e limpa.

Já que os escândalos se tornaram inevitáveis, ele tentaria extrair deles a maior vantagem possível.

Uma queda brutal nas ações causaria um sangramento intenso a curto prazo, porém isso também lhe daria a oportunidade ideal para comprá-las na baixa.

Éder pensou por um instante:

— Apenas temo que, agindo dessa forma, as agências reguladoras possam ficar em estado de alerta.

— Então invente uma boa desculpa.

Sérgio massageou o próprio estômago.

— Avise ao departamento jurídico para preparar a procuração e o testamento.

— Quanto ao médico, vá conversar com ele. Tudo precisa estar resolvido antes do banquete de aniversário da dona Helena.

— E a Senhora Santana... — indagou Éder.

— Não será necessário.

A expressão de Sérgio vacilou levemente enquanto ele apertava o copo que segurava.

— Encare isso como se eu a estivesse desapontando mais uma vez.

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