Por um instante, Júlia não soube o que responder.
Dizer que Sérgio gostava mais de Dora seria uma mentira, e ela não queria enganar a própria filha.
Mas também não suportava a ideia de decepcioná-la.
Felizmente, Dona Eunice apareceu ao ouvir a campainha tocar.
— Meu Deus do céu, como o menino Sérgio bebeu tanto de novo?
Quando Éder partira à tarde, não mencionara o que mantinha Sérgio tão ocupado ultimamente.
O motorista entrou amparando o homem completamente embriagado e curvou a cabeça para cumprimentar Júlia:
— Senhora Santana.
Júlia saiu do caminho para dar passagem.
— Por favor, leve-o para o escritório no segundo andar.
Ao ver a cena, Dora soltou um "uau".
Quando voltou correndo, trazia um pequeno estetoscópio rosa em volta do pescoço.
— Mamãe, eu sou a médica. É só eu dar uma injeção e ele vai ficar bem!
Júlia não sabia se ria ou se chorava.
Após convencer a filha a se deitar, ela não saiu do escritório de imediato. Em vez disso, tentou encontrar uma forma de usar a impressão digital de Sérgio para desbloquear o computador.
Infelizmente, só encontrou arquivos de trabalho do conglomerado.
Não havia nada parecido com registros de segurança ou gravações dos dois.
Júlia não pôde evitar uma pontada de decepção.
Quando estava prestes a sair, ouviu Sérgio começar a tossir, aparentando grande mal-estar.
O homem, que antes estava deitado de costas na cama, de repente virou-se, levantou-se e correu aos tropeços em direção ao banheiro.
No começo, Júlia pensou que ele tivesse percebido que ela mexera em seu computador.
Seu coração começou a bater descompassado.
A porta do banheiro estava aberta.
Júlia viu Sérgio cair de joelhos diretamente sobre os azulejos frios, apoiando-se no vaso sanitário enquanto tinha fortes acessos de ânsia.
Suas costas estavam encurvadas como as de um camarão. A cada espasmo nos ombros, ficavam evidentes as fortes cólicas gástricas que o afligiam.
Sérgio pressionava o estômago com todas as forças.
Com a outra mão, cujas veias saltavam visivelmente, ele agarrava-se à borda do vaso sanitário.
Júlia escutava sua respiração pesada e caótica. A tosse rouca se misturava às náuseas, a ponto de ele mal conseguir puxar o ar.
Ela nunca o vira em um estado tão deplorável.
E também achou estranho.
Quem teria a coragem de forçá-lo a beber tanto em um jantar de negócios?
Júlia hesitou por um momento, mas acabou enchendo um copo com água.
Assim que Sérgio terminou de vomitar, ela lhe entregou o copo.
Sérgio devia estar mesmo muito desnorteado, pois começou a beber sem sequer olhar.
Deu apenas dois goles e voltou a vomitar.
Foi então que Júlia se lembrou do que o médico dissera da última vez que estivera na casa.
— Se não aguenta beber, não beba.
Ao escutar aquilo, Sérgio franziu a testa, olhou em sua direção apertando os olhos e ficou imóvel por um bom tempo até reconhecê-la.
Vendo que ele havia recuperado um pouco do fôlego, Júlia fez menção de sair.
No entanto, foi impedida por uma mão escaldante que segurou a sua.
Ela puxou o braço para trás:
— Sérgio Santana, não abuse da sorte.
Como se não a tivesse escutado, Sérgio ficou a fitá-la de forma atordoada por um momento, para então começar a tirar as próprias roupas.
Ele parecia um polvo mole e sem coordenação.
Embora suas mãos parecessem ocupadíssimas, na verdade só estavam enrolando-se ainda mais no próprio paletó e camisa.
Foi com muito custo que Sérgio finalmente conseguiu se desvencilhar.
Ele então cobriu os ombros de Júlia com a própria roupa e soltou um longo suspiro de alívio.

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