Em seu coração sentiu ao mesmo tempo amargura e decepção.
— Dora, seu vestidinho sujou, mas o papai por acaso tem outro conjunto, olha.
Sérgio agachou-se.
Ele segurava um vestido de tule azul celeste tamanho pequeno, com pequenos laços nos ombros, franjas de penas azuis nas mangas, detalhes em pérolas no peito e uma saia rodada, que acertavam em cheio as preferências da menininha.
Dora foi imediatamente atraída.
— Obrigada, tio, mas eu não quero.
Ela dizia que não com a boca, mas seus olhos não paravam de desviar para o vestido.
Apertou a mão de Júlia cada vez mais forte.
Júlia suspirou internamente.
— Se a Dora gostou, pode ficar.
— É verdade, mamãe?
Júlia assentiu.
Sérgio sorriu.
O simples fato de a filha aceitar o presente o fez sentir-se como se estivesse flutuando em águas termais, no paraíso.
Júlia pegou a sacola, tirou a etiqueta de trás e deu uma olhada.
— Trinta e sete mil, já transferi para você.
A expressão de Sérgio enrijeceu.
— Júlia, você não precisa fazer essas contas comigo, esse dinheirinho...
— Com esse dinheirinho, claro que o Diretor Santana não é mesquinho, afinal, é para limpar a sujeira que o queridíssimo filho fez.
— Fique com isso, senão eu sempre vou me preocupar que o preço a pagar será ainda maior. Considere isso como um pedido: por favor, não faça mais nada desnecessário. Deixe nós duas em paz, pode ser?
Sérgio olhou para o olhar frio e indiferente de Júlia, sorrindo amargamente sem dizer nada.
Como a força letal de uma única frase podia ser tão grande?

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