Cássia não sabia que Júlia era uma das investidoras, mas o diretor sabia.
Ao ver a atriz sendo tão desrespeitosa, ele imediatamente se curvou, e até a forma de tratamento mudou: — Peço desculpas, Diretora Guedes. Você sabe como os novatos de hoje em dia não têm noção das coisas.
Júlia observou as costas da garota que andava com ar de superioridade.
— Tudo bem.
De qualquer forma, ainda não era a vez das cenas de Cássia.
Júlia investira dinheiro ali para gerar lucro, não para arrumar brigas.
Era melhor que a atuação de Cássia estivesse, no mínimo, aceitável.
Não, alguém tão difícil de trabalhar precisaria superar, e muito, o nível do aceitável.
Caso contrário, ela não seria leniente.
Por vários dias consecutivos, Júlia voltou para casa muito tarde, e mesmo quando voltava, continuava no telefone resolvendo assuntos da produção.
Dora ouviu a voz do diretor ao telefone.
— Sra. Júlia, pelo menos pergunte à sua filha se ela gostaria de aparecer nas câmeras.
Depois que Júlia desligou, os olhos grandes de Dora piscaram de curiosidade.
— Mamãe, o que é aparecer nas câmeras?
Júlia explicou brevemente.
Sua garotinha era naturalmente cheia de curiosidade e queria tentar tudo o que ainda não havia experimentado.
Júlia estava um pouco hesitante.
Por um lado, não queria que ela fosse exposta ao olhar do público tão cedo, afinal, a situação entre ela e Sérgio ainda estava no centro das atenções.
Mas, por outro lado, Dora realmente gostava dessas coisas.
Ela adorava tocar piano e se apresentar para os outros.
Júlia abraçou os ombros da filha.
— A mamãe já sabe o que a Dora quer. Daqui a alguns dias, quando formos gravar essa cena, veremos o que fazer.
— O que é isso? — perguntou Dora, assentindo e tocando na caixa de presente sobre a mesa.
— É o presente de aniversário do seu Tio Lucas.
O presente de aniversário que Júlia preparara para Lucas Franco era um relógio.
Nisso ela até que sabia se portar.
Infelizmente, era o tipo de pessoa que bajulava os superiores e pisava nos inferiores.
Júlia a viu maltratando sua dublê de ação mais de uma vez.
O diretor também chamava a sua atenção: — Temos tantos veteranos no set, será que você poderia não se atrasar e não deixar os outros esperando?
— Diretor, os outros veteranos ficaram chateados, ou alguém andou falando algo? — Cássia franziu os lábios de imediato e lançou um olhar para Júlia.
— Eu só estava indo buscar inspiração. Se vou interpretar uma guerreira heroica, não deveria ir às montanhas procurar a essência disso?
— Quanto a mim, eu preciso me preparar muito bem. Não sou como certas atrizes premiadas que, mesmo depois de terem filhos, acham que podem interpretar jovens donzelas com a maior naturalidade do mundo.
O diretor, na verdade, queria muito se fingir de morto. Quem não quer evitar problemas?
Mas Cássia era tão óbvia que até um idiota perceberia a quem ela estava atacando com indiretas.
O diretor jogou o roteiro para o lado.
— A idade estabelecida na história já é na faixa dos vinte e poucos anos. Após a morte dos pais, para reerguer a seita, a protagonista decide propositalmente não se casar. A Sra. Júlia se encaixa perfeitamente.
— Cássia, quem é o diretor aqui, eu ou você? Em vez de ficar atirando essas piadinhas ácidas, não seria melhor focar na sua própria atuação?

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