O abraço de Sérgio se desfez de forma abrupta.
Ele cambaleou alguns passos para trás e se recostou na porta.
A dor emergiu, com atraso, do topo da cabeça.
Júlia também paralisou por um instante.
Mas não sentiu qualquer arrependimento.
Ela o encarou ferozmente, com a voz rouca, cada palavra soando como se jorrasse sangue.
— Sérgio, você achou o máximo me chantagear com isso, não é?
Sérgio foi ferido por aquele olhar de ódio, e, por um momento, seu peito doeu mais do que a cabeça.
Seu gogó subiu e desceu.
Apenas respondeu mecanicamente à pergunta.
— Eu não achei, eu só fiquei com o coração partido, eu só não conseguia entender por que você...
— Por que eu fiquei doente, não é isso?
O sorriso de Júlia era mais feio que o choro.
— É claro que foi porque, no nosso casamento, o meu marido escondeu o seu primeiro amor e, três anos depois, permitiu de braços cruzados que a amante invadisse nossa casa.
— Foi pelo amor que vocês esbanjaram enquanto eu era xingada pela internet inteira.
— E mais, ainda bem que você não sabia da minha gravidez, caso contrário, você não ficaria ainda mais tranquilo para me trair enquanto eu estava grávida e rir da minha cara?
— Sérgio, eu já estava farta da sua cara de morto todo santo dia, da sua violência psicológica, das suas inúmeras traições e descasos, além daquela prisão e do controle que você fazia a seu bel-prazer!
— Isso tudo não foi o bastante?
As lágrimas de Júlia rolaram, e ela finalmente perdeu o controle.
— Agora você pegou os meus prontuários e também compartilhou com a sua querida Clarice, ficou feliz em ver tudo isso? Se está feliz, por que não ri? Pra quem é todo esse teatro de arrependimento profundo?
Um dos olhos de Sérgio estava coberto por sangue, incapaz de abrir.
Sua voz soou embargada.
— Eu não compartilhei com ninguém.
Júlia sempre fora ótima em tolerar e aguentar as coisas calada.
Mesmo quando o casamento terminou de forma humilhante.
Ela raramente usava palavras cruéis com ele.
Sérgio nunca havia imaginado que Júlia sentisse tanto ressentimento e tanto ódio dele.
Aquele pensamento o deixou tonto por um instante.
E ele caiu sentado no chão.
Talvez os gritos da briga tivessem sido altos demais, alertando Lucas no escritório ao lado.
Ele bateu na porta com força.
— Júlia, você está aí dentro?
— O que está acontecendo? Abre a porta!
O escritório da sócia e o de Lucas ficavam em um andar isolado.
Ainda bem que era assim, ou a empresa inteira estaria assistindo ao show.

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