Sérgio reprimiu as diversas emoções conflitantes em seu coração.
Pegou a garrafa de vinho tinto mais cara e sofisticada da adega e a entregou a Júlia.
— Acredito que você vá gostar. Leve para casa e aprecie com calma.
Júlia exibiu uma expressão de desconfiança.
Sérgio a havia convidado para subir; era evidente que queria lhe dizer algo.
Ela já estava até mentalmente preparada para que seus planos fossem descobertos e Sérgio a responsabilizasse.
Então, por que ele estava recuando?
Júlia acenou com a cabeça:
— Certo.
A oportunidade havia se perdido, mas ela poderia esperar pela próxima.
O melhor era não agir de modo precipitado, evitando despertar suspeitas.
Ao chegar em casa, Júlia trancou-se diretamente no escritório, passando a ler detalhadamente todo o material do projeto que havia conseguido mais cedo.
Deletou os dados mais cruciais dali.
E, em lugares onde a exclusão seria gritante, optou por modificar as cifras.
Desse modo, mesmo que as negociações com Arthur Franco fracassassem no futuro, poderia garantir que os projetos da empresa não sofressem impactos.
Havia mais uma coisa pendente: conseguir as contas problemáticas do Grupo Franco.
Naquela ocasião em que Arthur planejava usá-la como bode expiatório, ele havia sido muito descuidado.
A ponto de deixar muitas informações registradas nos computadores de trabalho.
Logo de manhã, no dia seguinte, Júlia arrumou as coisas, aprontando-se para ir ao estúdio.
Dora esfregou os olhos.
— Mamãe, você vai sair?
— Vou, sim, meu amor. Hoje a Tati vai voltar para ficar com você. Vou esperar você tomar café e, assim que a Tati chegar, mamãe vai trabalhar.
— Mas a senhora prometeu que ia ver a novela comigo.
Foi aí que Júlia se lembrou.
Aquele era o dia de estreia da novela de época.
Dora até tinha feito uma breve aparição especial ali.
Havia prometido à filha que assistiria à sua primeira atuação junto com ela.
Júlia ficou um pouco dividida.
— Mamãe, me leva para o trabalho com você. Eu vou me comportar direitinho.
— Por favorzinho! A professora do jardim de infância também passou uma tarefa de atividades práticas. Eu posso desenhar "um dia no trabalho com a mamãe".
Vendo a filha pedir com aquela carinha de um pequeno coelho implorando por cenouras vindas do céu, Júlia se derreteu.
Não conseguiu conter um sorriso.
— Está bem, então.
Dora correu de volta ao quarto.
Para arrumar a sua própria mochilinha.
— Mamãe, a caneta de cenoura é mais bonita ou a borracha com orelhinha de coelho?

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