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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 463

— Sérgio?

— Me tira daqui... A água está entrando, está frio, me tira daqui... — Sérgio estava deitado de costas na cama, com o corpo todo rígido. Suas mãos se debatiam freneticamente, e a sua voz soava rouca e baixa, quase inaudível. — Está muito escuro... Mamãe, me ajuda... Não deixa eu morrer afogado.

O coração de Júlia pareceu ter sido perfurado por uma agulha.

Latejava de dor.

Ela deu leves tapinhas no rosto de Sérgio e sentiu as mãos molhadas de suor frio.

Sérgio parecia estar dominado por um pesadelo, com a respiração cada vez mais ofegante.

— Eu vou ser obediente... Eu não vou comer... Não me tranca.

Em todos aqueles anos, Júlia nunca o tinha visto daquele jeito.

Mesmo dormindo, parecia que estava sendo perseguido por espíritos malignos.

Como não conseguia acordá-lo, Júlia beliscou o braço dele com força e acendeu a fraca luz da cabeceira no máximo.

Ela viu o peito de Sérgio subindo e descendo bruscamente.

Como alguém que estava preso debaixo d'água e finalmente foi resgatado.

— Sérgio, você teve um pesadelo.

Júlia estendeu a mão para apoiar as costas de Sérgio, sem perceber que os seus olhos transbordavam de preocupação.

Sérgio ficou com as costas curvadas e a cabeça abaixada.

O suor frio caía, pingando no lençol azul-escuro.

As veias saltavam de suas mãos.

— Abre a janela para mim.

Sérgio apertou a testa, tomado pela dor. Seus lábios estavam sem cor, e ele não parecia uma pessoa viva, mas sim um desenho em um pedaço de papel.

Júlia não falou aquelas bobagens de que abrir a janela no meio da noite causaria um resfriado.

Apenas deixou o vento gelado invadir o quarto.

Sérgio, então, despertou um pouco mais.

— Eu te assustei agora pouco?

Ele pegou instintivamente o casaco na cabeceira e cobriu os ombros de Júlia.

— Não foi nada, volta a dormir.

Júlia não se moveu.

Ela ficou de pé por um tempo e, quando a respiração de Sérgio se acalmou completamente, fechou a janela e voltou a falar.

— É por causa daquele porão?

O corpo de Sérgio ficou tenso.

Ele manteve a mesma postura, abaixando a cabeça ainda mais.

Júlia suspirou, pegou o celular e o mostrou a ele.

A data e a hora estavam iluminadas na tela.

Sérgio já não era mais aquela criança indefesa.

Não se sabia quanto tempo se passou.

Sérgio falou:

— Este é o lugar onde morei até os meus dez anos. É a casa dos meus pais.

Júlia percebeu que ele havia dito "casa", e não "o lar meu e dos meus pais".

Sérgio passou a mão nos cabelos úmidos de suor, jogando-os para trás.

Ele recostou-se na cama, com o olhar vazio fixo no teto, como se falasse da vida de outra pessoa.

Ele contou que os seus pais haviam se casado por interesses comerciais.

— Na verdade, antes de mim, a minha mãe engravidou outra vez, era uma menina.

— Quanto ao meu pai, se você disser que ele tinha talento para os negócios, talvez esteja certa. Mas como ser humano, ele era ainda pior que eu.

Sérgio soltou um sorriso amargo.

A sua voz estava carregada de uma profunda zombaria e de um prazer em menosprezá-lo.

— Quando a minha mãe engravidou pela primeira vez, o meu pai ficou em casa por alguns dias. Mas, ao descobrir que era uma menina, começou a passar as noites nos bares, mudando de mulher todos os dias. E depois de terminar os seus casos por lá, ainda voltava para casa para enojar a minha mãe.

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