Quando Sérgio chegou ao restaurante, já eram sete da noite.
Ele sentou-se e fez o pedido.
Júlia usava um vestido longo cor de xarope de bordo, com uma jaqueta de couro acinturada; o vestido e a jaqueta tinham golas levemente decotadas, e o lenço fino amarrado ao pescoço era o toque perfeito.
Essa combinação não era demasiadamente sofisticada, mas sim elegante e casual ao mesmo tempo.
Sérgio não conseguiu evitar dar umas olhadas a mais nela; ele estava sempre rodeado por várias mulheres com maquiagens impecáveis.
Uma mulher como Júlia, que conseguia ser descontraída e bela na medida certa, era raro.
Tinha que admitir que Júlia sempre conseguia acertar em cheio as preferências dele.
— Feliz aniversário.
Júlia tomou um gole de vinho tinto:
— Obrigada.
Os olhos de Sérgio recaíram mais uma vez sobre o dedo anelar de Júlia.
Lá estava a aliança de casamento.
Ela a colocara de volta temporariamente só para tranquilizar o coração de Dona Helena.
Quando Sérgio viu a aliança, seu coração aliviou-se ligeiramente.
O prato de entrada e a sopa chegaram.
O ambiente entre os dois estava estranhamente silencioso.
No passado, Júlia era quem sempre tomava a iniciativa de puxar assunto.
Assim como um funcionário que tentava loucamente um pitch de elevador de trinta segundos para ganhar as graças do chefe.
Mas hoje ela estava atípica.
Ela apenas comia a própria refeição em silêncio.
De vez em quando observava as ruas lá fora ou resolvia questões de trabalho no celular.
Sérgio puxou o presente.
Júlia ergueu o olhar.
Viu uma caixa de veludo azul que abrigava, solitária, uma pulseira.
Era pequena e delicada.
Criava um contraste óbvio com o colar cintilante que Clarice havia postado online.
E, como esperado, era da mesma marca.
Júlia encarou a caixa em silêncio.
Sérgio perguntou:
— O quê, não gostou?
Júlia pensou.
Talvez, aos olhos de Sérgio, ela devesse pular de alegria.
Porque aquela era a primeira vez, em três anos, que ele celebrava seu aniversário e ainda tinha lhe escolhido um presente.
Entretanto, Júlia lançou-lhe um olhar e empurrou o presente de volta.
Sem dar a mínima chance de ele se achar:
— Leve seu presente, entregue para quem deve recebê-lo.
Ao ver a frieza impassível dela, Sérgio sentiu uma pontada no coração.
Ele deixou para trás as seguintes palavras:
— Se não gostou, jogue fora.
E saiu apressado.
Júlia viu as costas de Sérgio se afastando rapidamente.
Enquanto isso, todos os funcionários do restaurante a observavam.
Embora não houvesse som algum,
Aqueles olhares eram fofocas silenciosas.
Júlia riu friamente e, sem exitar, jogou o presente no lixo.
Em seguida, fez uma ligação para aceitar o convite para se tornar a porta-voz de uma marca de joias de luxo.
Dali em diante, ela não aceitaria presentes baratos.
O que ela quisesse, conquistaria e conseguiria por conta própria.
Sérgio foi às pressas para o shopping, apenas para encontrar Clarice encolhida no canto e soluçando.
O gerente do shopping encontrava-se ao lado dela, sem parar de pedir desculpas.
Perto das nove da noite, vendo que a senhorita ainda não havia ido embora, ele havia até indicado o caminho a ela.
Quem diria que ela, em vez de passar pela saída principal, acabaria presa logo num elevador de carga.

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