— Apenas uma coisa, um acontecimento como o roubo do trabalho alheio enquanto você ainda estava na escola não deve, por hipótese alguma, repetir-se uma segunda vez.
— Mamãe! — Clarice irritou-se ao escutar essas palavras e deixou seu rosto demonstrar um olhar de desdém: — Eu nunca cheguei a esse limite; a pessoa, na verdade, os cedeu sob vontade própria, quem diria que ela voltaria atrás na palavra!
Marlene Cardoso acalmou a sua filha depois de a ver furiosa: — Está bem, está bem. A mamãe só não quer que você perca a cabeça, lembre-se do que conversamos, tudo bem?
Clarice assentiu por fim.
Do outro lado, Éder havia chegado à velha mansão.
Sérgio havia saído em viagem a negócios naquele dia para investigar projetos em outras províncias.
Ele não levou Éder por este ter alguns compromissos da empresa que necessitavam da sua assinatura.
Acabou calhando de Júlia também estar ocupada no trabalho, ausente da mansão.
Éder aproveitou a ocasião para visitar e ver a velha senhora.
Dona Helena ordenou que Dona Eunice o deixasse entrar no escritório.
— Éder, você não costuma seguir Sérgio na empresa, o que veio buscar na velha mansão?
Éder respondeu com poucas palavras triviais; aguardou a partida de Dona Eunice para finalmente revelar um documento: — Dona Helena, este documento foi entregue a mim pela senhora há cerca de um mês.
Dona Helena botou os seus óculos de leitura, as suas pálpebras tremeram: — Do que se trata isso?
Éder respondeu: — Trata-se do acordo de divórcio da senhora.
— Do que é que você está falando?
Dona Helena cogitou ter ensurdecido da velhice.
Não sobrou outra saída a Éder a não ser repetir novamente o que tinha falado.
A velha senhora extraiu o documento e repassou-o página por página.
Os seus temores mais profundos tinham acabado por se consumar.
Dona Helena suspirou ao término da leitura: — Essa criança é um misto de honestidade e inocência.
Júlia não tomou posse de patrimônio algum, como estipulava o tratado.
O único pedido que continha era o de que Sérgio guardasse o seu matrimônio longe do conhecimento da mídia e permitisse que ela se desligasse passivamente dos serviços da Estelar.
No princípio, a velha senhora pensara estar brava por ver as estribeiras de Júlia arrebentarem.
Inicialmente, pensara que Júlia se englobava nessas fileiras e se preparara para lidar com todo tipo de problemas.
De modo inesperado, Júlia obteve fama mínima, sendo contudo totalmente abstida de causar revoltas via intermédio de fãs.
Além disso, ela lidava bem tanto com as obrigações sociais quanto com os deveres de casa.
Na empresa, interveio nos eventos recentes do choque anafilático.
Em casa, compartilhava muito do trabalho do assistente Juliano.
Dona Helena assentiu: — O que você quis dizer, eu já entendi, fique tranquilo, não permitirei que aquele tolo aja como bem entender.
Infelizmente, um vento a soprar e os danos não tardam a seguir, uma onda não se acalma antes da outra vir.
Quando Sérgio retornou de sua estada exterior dias adiante.
Éder saiu pela manhã para o buscar e recebeu as notícias na sala de espera.
Sérgio também calhou de perguntar.
Era só poder soltar a mais pura honestidade: — As pessoas do Grupo Franco dizem que a proposta de aquisição foi obra de uma Senhorita Guedes.

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