Júlia apertou os lábios, olhando para o homem à sua frente.
Ela podia sentir seu corpo esfriando gradualmente.
Como se tivesse sido jogada na neve de um inverno rigoroso.
Sem restar nem sequer a mais ínfima faísca de calor.
Ao ouvir aquilo, Clarice puxou com força as roupas de Sérgio.
— Sérgio, a Júlia só queria demais provar o valor dela, não a culpo. Contanto que ela me peça desculpas e não faça mais isso no futuro, estará tudo bem.
Sérgio segurou a mão de Clarice, revelando uma expressão de admiração.
— Você está disposta a ser generosa, mas eu não posso deixar de dar uma satisfação à empresa.
Embora Júlia não fosse funcionária do Grupo Oceano Internacional, ela era uma artista da Estelar.
Se no futuro todo mundo tivesse a ideia oportunista de roubar propostas e entregá-las à concorrência, então não haveria motivo para manter a empresa aberta!
Sérgio deu uma última chance a Júlia: — Você ouviu; peça desculpas à Clarice.
Júlia escutou os dois cantando em dueto, cada qual proferindo sua frase.
Esperou que se cansassem de toda aquela melação, então se aproximou, pegou o projeto e olhou-o cuidadosamente.
Júlia deu um sorriso frio: — Sérgio Santana, você diz que eu roubei o projeto da Clarice, mas por acaso ela tem provas para demonstrar que essa é uma ideia original dela?
Ela tinha lindos olhos sedutores, que capturavam a alma de quem fitasse sempre que os semicerrou, exibindo um sorriso zombeteiro.
— Diretora Cardoso, se você chamar o projeto, ele seria capaz de responder a você?
Sérgio perdeu completamente a paciência: — Júlia, se eu estou resolvendo esse assunto a portas fechadas, é na esperança de lhe dar uma chance de se redimir. Não aja de forma irracional.
Os ombros de Clarice tremeram levemente: — Júlia, como você pode dizer isso?
Ela tocou de leve a ponta do nariz com o dedo indicador: — Essa proposta foi escrita claramente pelas minhas próprias mãos, eu até a discuti com o Sérgio na reunião; aqueles detalhes de comunicação não poderiam ser copiados...
Sérgio manteve o rosto inexpressivo: — Peça desculpas.
Júlia nem se deu ao trabalho de ligar para eles e ordenou a Éder: — Por favor, vá à sala de descanso dos artistas e traga meu notebook.
Éder assentiu com a cabeça.
Assim que ele abriu a porta da sala de reuniões, a equipe que estava assistindo à confusão se dispersou feito um bando de pássaros.
Logo, Éder trouxe o computador de volta.
Júlia: — Éder, não feche a porta, a pessoa que copiou a proposta não fui eu, de qualquer forma.
Ele basicamente não acreditava que Júlia tivesse tal capacidade.
— Adulteração?
Ao ouvir isso, Júlia abriu diretamente outra página.
Era o site oficial do Escritório de Direitos Autorais; ela digitou rápida e diretamente, inserindo seu número de registro.
Logo, apareceu uma opção do projeto de aquisição da Império Mídia, e a coluna de titular dos direitos autorais dizia Júlia Guedes.
Havia e constava apenas e somente ela.
O tempo de solicitação datava de uma semana atrás.
Júlia sentou-se na cadeira, cravando um olhar frio em Clarice: — O registro de direitos autorais precisa passar pela auditoria de agências profissionais; quanto a isso, ninguém pode refutar, certo?
As mãos de Clarice estavam escondidas debaixo da mesa, tremendo levemente.
A expressão de Sérgio já começara a afrouxar.
Clarice se levantou: — E daí? A sua solicitação ainda está sob auditoria, quem sabe se não é um truque visual! Júlia, é óbvio que foi você quem copiou meu projeto e ainda não tem coragem de admitir!
Ao ouvi-la xingá-la, todo o sorriso de Júlia desapareceu.

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