Isso era impossível. Se o Diretor Santana realmente tivesse se envolvido com Júlia, como seria possível ele não lhe dar nenhum benefício ou recurso?
E ainda a faria torcer o pé sem dar a mínima atenção?
Com o tornozelo torcido, Júlia repousou em casa por alguns dias.
Depois, tirou um tempo para ir à Império Mídia.
— Na verdade, não precisava de tanto desperdício, um camarim para os artistas já seria o suficiente — Júlia disse a Lucas Franco, dando uma olhada no escritório que era maior que a sala de estar de sua casa.
Era raro ver Lucas vestido formalmente com terno, mas ele sempre gostava de quebrar as tradições.
A camisa que ele usava por baixo era de um tecido fino e leve.
Além de seu jeito cavalheiro, aquilo acrescentava um ar de jovem herdeiro esbanjador.
— Sente-se, a partir de agora você é a sócia-fundadora da Império Mídia — Lucas Franco puxou a cadeira de couro.
— Eu? — perguntou Júlia, apontando para si mesma, com o rosto cheio de surpresa.
— Isso não é apenas um desejo meu, mas também uma decisão do conselho do Grupo Franco. Você sabe, a Império Mídia está com falta de artistas agora, eles têm medo de que você fuja — Lucas assentiu.
O mais importante era que ela detinha ações da Império Mídia.
— De agora em diante, você terá poder de decisão sobre os projetos na Império Mídia, ou melhor, espero que você possa fornecer mais propostas de projetos — Lucas tirou um copo do armário de bebidas.
Essa era uma ideia que ele havia tido desde a proposta de aquisição da Império Mídia.
Júlia conhecia a indústria por dentro, tinha contatos, inteligência emocional e perspicácia para os negócios.
A Império Mídia estava em um momento no qual tudo precisava ser reestruturado.
— Eu mal posso esperar para que você se torne mão de obra gratuita — Lucas Franco entregou uma taça de vinho a Júlia.
Júlia estava um pouco preocupada com questões de não concorrência.
— Não tem problema, você só precisa tomar as decisões. Contanto que não compareça às negociações presenciais, tudo bem — Lucas balançou o dedo indicador.
Júlia concordou.
Naqueles dias, a Agência Estelar vinha investindo muito dinheiro e energia para conquistar novos projetos, mas repetidamente fracassava por conta da falta de criatividade em suas ideias.
A Império Mídia, por outro lado, estava prosperando a todo vapor.
Sérgio não estava muito afim de ver Júlia.
No entanto, ele não podia desrespeitar os desejos de sua avó repetidamente.
— Entendido.
Ele encerrou seu expediente pontualmente naquele dia.
Quando chegou em casa, de fato, Júlia estava na mesa de jantar.
— Em alguns dias, Julinha vai viajar a trabalho para a França. Coincide com a sua agenda, então vão juntos — disse Dona Helena Santana.
— Estou indo para a França a trabalho — recusou Sérgio, parando o garfo, sem sequer levantar os olhos.
— O trabalho é algum tesouro? Só você tem! Nossa Julinha também vai a trabalho — reclamou Dona Helena Santana.
— É a oportunidade perfeita, depois do trabalho, vocês podem comer juntos e passear — depois de repreender Sérgio, ela olhou sorrindo para Júlia e colocou comida no prato dela.
Sérgio não voltou a se opor.
— Entendi, avó — Júlia também achou difícil recusar, especialmente diante do sorriso cativante da velha senhora.

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