[Olha, não me diga, não me diga mesmo! A JG é da Agência Estelar, seria muito difícil ela conseguir a agenda do chefe?]
[Eca, que nojo, parece uma stalker, e ainda tem gente "shippando", vão pro inferno!]
Em relação a esses comentários, nem Júlia nem Patrícia se importaram.
Eles tomariam muito tempo e energia de forma inútil.
Essas difamações na internet costumavam crescer ainda mais quanto mais tentavam suprimi-las.
Além do mais, o estúdio delas era algo bastante comum, sem influência nenhuma para mudar a mentalidade dos internautas.
A menos que o Grupo Oceano Internacional tomasse uma atitude.
Porém, Sérgio sempre protegia o seu antigo amor verdadeiro.
Júlia há muito havia aprendido a lidar com as próprias coisas em silêncio e não mais pedir a ajuda dos outros.
Ao ler os comentários dos internautas, Clarice guardou o celular na bolsa.
Ela esperou mais um tempo até conseguir ver o carro de Sérgio.
Acenou com força, correu de leve e abaixou-se para entrar.
— Como é que você veio parar em Paris?
Sérgio fez um gesto sutil para o motorista ligar o ar condicionado.
— Eu vim participar da exposição de joias — Clarice sorriu docemente.
— Ultimamente, por causa do excesso de trabalho, acabei ficando com olheiras, não como a Júlia, que se cuida tão bem, é de dar inveja — depois de falar, ela esfregou as próprias bochechas.
Júlia era nova; falar que ela "se cuidava" era um pouco excessivo.
— Júlia também tem o trabalho dela — Sérgio, que acabara de voltar do set de filmagens, não pôde deixar de retrucar ao ouvir isso.
Foi a primeira vez que ele intercedeu em favor de Júlia de forma proativa.
— Sim, a Júlia é linda, ela se dá super bem gravando comerciais, diferente de mim, que só posso depender do trabalho braçal — a expressão de Clarice enrijeceu por um momento.
Falando dessa forma, ela fazia parecer que Júlia dependia do próprio rosto e flertes para se dar bem, enquanto ela triunfava puramente por talento.
As sobrancelhas de Sérgio se curvaram discretamente.
Para conseguir caber no vestido de festa mais deslumbrante, Clarice havia feito jejum de comida e água por um dia inteiro.
Agora, ela passava mal de tanta fome.
— Sérgio, você deve ter um compromisso, né? — Clarice massageou o estômago em tom de desculpa.
Contudo, assim que o veículo saiu da rotatória, ela ligou para um ex-colega.
— Hey Antoine, it's Anne.
No passado, ela havia estudado design na França, e seus colegas de classe ingressaram todos no mesmo mercado.
Obter contatos diretos entre os organizadores da exposição era a coisa mais fácil do mundo.
— Antoine, quero te pedir um favor. Na entrevista de amanhã, não precisa providenciar um tradutor para aquela garota chamada Júlia — disse Clarice.
— Ela trouxe o próprio tradutor? — Antoine perguntou, surpreso.
— Ela vai poder aproveitar a chance para vender a imagem de intelectual, fique tranquilo. É uma artista da minha empresa, eu não faria mal a ela — Clarice segurava a bolsa, enquanto seus saltos altos batiam no carpete do corredor a cada passo.
Ela desligou o telefone.
E abriu um sorriso nos lábios.
A imagem de intelectual?
Júlia provavelmente não devia ter lido muitos livros, nem devia conhecer muitas palavras em inglês.
Depois de amanhã, essa imagem de analfabeta de Júlia ficaria realmente consolidada.

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