Júlia olhou mais de perto e notou que até os pequenos arranhões eram idênticos aos daquele conjunto de joias.
Ela queria perguntar mais, mas viu Tiago se aproximando e teve que deixar para lá.
Tiago viera convidá-la para participar de uma festa privada que aconteceria a seguir.
Na pressa, ele acabou pisando acidentalmente na bainha do vestido de Júlia.
Ela quase caiu; tanto Tiago quanto Lucas, que não estava longe, estenderam as mãos para ampará-la.
Mas ela mesma recuperou o equilíbrio.
Toda a cena foi observada por Sérgio.
Clarice, naturalmente, também viu:
— A Júlia tem tanta sorte com os homens... Dá até inveja! Até o Tiago ficou encantado com ela. Não é à toa que o Diretor Rocha da nossa Estelar tem tanto interesse nela.
O semblante de Sérgio fechou.
Fingindo não perceber, Clarice continuou:
— Aliás, dessa vez, lá na França, até o Marc Rochas ficou impressionado com ela. Nem imagino... o que ela fez para conseguir isso.
Tiago logo retornou com uma expressão de decepção.
— Eu a convidei para ir com a gente para a festa privada depois daqui, mas ela recusou.
Clarice soltou um risinho debochado.
— Você é bobo? Não viu o quanto ela é próxima do Sr. Franco? Olha lá, o carro da família Franco já está lá fora esperando.
Tiago olhou para trás.
E era verdade. Júlia já estava vestindo seu casaco e caminhando para a saída.
Como o caminho do pátio era irregular, Lucas até se curvou para segurar a saia do vestido dela.
Eles pareciam bastante íntimos.
Sérgio ergueu a cabeça, virou o copo de vinho de uma vez só e disse impaciente:
— Não íamos jogar cartas? Vai começar ou não?
Clarice sorriu suavemente.
— Vamos entrar. Afinal, uma festa privada assim não é para qualquer um.
Júlia realmente não tinha planos de ficar até tarde, pois tinha compromissos de trabalho no dia seguinte.
Lucas a levou até a porta da mansão principal.
Assim que entrou, ela sentiu um leve aroma.
Na cozinha, Dona Eunice preparava um caldo.
Ao vê-la, Dona Helena baixou o livro que lia:
— Julinha, você chegou! Vá experimentar o caldo revigorante que a Eunice fez para cortar a bebedeira.
Dona Eunice pegou o casaco de Júlia:
— O jovem mestre Sérgio não voltou com você? Deve ter ficado fazendo hora extra na empresa de novo.
Claro que não.
Sérgio estava acompanhando Clarice e os amigos no clubinho privado.
Mesmo assim, Júlia não queria que a avó se preocupasse.
Ela justificou:
— Vista isto para se proteger do frio.
Dona Helena estava ali justamente para "pegar os dois no flagra".
Ela encarou Clarice com um sorriso que não chegava aos olhos:
— Agradeço o incômodo, Senhorita Cardoso. E ainda teve o trabalho de nos fazer o favor de usar o carro da família Santana para trazer as pessoas.
A senhora inclinou a cabeça, usando os óculos de leitura para observar atentamente.
Então perguntou:
— Julinha, este não é o carro que você usava na outra casa?
Júlia assentiu:
— É sim, avó.
Sérgio viu Júlia dar meio passo à frente e instintivamente virou o corpo para esconder Clarice atrás de si.
Ele fixou um olhar gélido em Júlia.
Ainda há pouco, Tiago havia perguntado se ela queria acompanhá-los, mas ela havia recusado.
E agora, deixava uma senhora daquela idade tomando sereno.
As intenções dela eram óbvias.
— Avó, eu quem pedi para a Clarice ficar para conversarmos sobre assuntos da empresa.
Ao ouvir aquilo, Clarice logo tratou de se defender também:
— Não culpe o Sérgio, a culpa foi minha. Como inaugurei as lojas físicas da minha marca no fim de semana, aproveitei para pedir conselhos a ele.

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