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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 546

Vinícius abriu a mochila e tirou de dentro uma marmita japonesa preta, delicada, bonita demais para parecer comum.

Era uma porção que ele trouxe de propósito do restaurante.

Dentro havia ingredientes caros: wagyu, ouriço-do-mar e alguns peixes e frutos do mar cujos nomes ele nem sabia pronunciar.

Enquanto comia, Vinícius achou tudo tão gostoso que só conseguia pensar em como seria bom se a irmã e a mãe também pudessem provar. Mas ficou com vergonha de pedir isso a Bruno.

Foi o próprio Bruno quem mandou prepararem algumas porções extras e lembrou Vinícius de levar para casa, para dividir com a família.

Para Vinícius, aquilo só podia significar uma coisa. Bruno pensava em Rebeca.

Foi por causa dela que ele o defendeu e conseguiu sua matrícula numa escola no centro de San Elívar.

Mesmo que, por fora, Bruno parecesse sempre cheio de segundas intenções com Rebeca, Vinícius observou bem: ele nunca passava de certo ponto.

No fundo, até parecia estar tentando agradá-la.

Se Bruno realmente quisesse comprar briga com ela, Rebeca jamais conseguiria enfrentá-lo daquele jeito, muito menos sair por cima.

— Eu... eu desisto de falar com você!

Rebeca sentiu que Vinícius já estava sem salvação. Não tinha mais paciência para gastar saliva.

Tomou o celular dele, apagou o contato de Bruno e, na mesma hora, decretou: a partir daquele dia, Vinícius estava proibido de qualquer contato com ele.

Vinícius ficou magoado de verdade.

No caminho de volta, continuou emburrado, sem dizer uma palavra.

A escola dele não ficava tão longe dali. Como ainda era cedo e havia ônibus circulando, Rebeca não chamou carro. Os dois seguiram um atrás do outro em direção ao ponto.

De repente, uma van cinza freou junto ao meio-fio.

A porta se abriu, e vários homens corpulentos saltaram lá de dentro, avançando direto na direção dos dois.

Rebeca reagiu num segundo.

Empurrou Vinícius com força.

— Corre!

Ela tinha instinto afiado para perigo.

Mas Vinícius levou um susto tão grande que travou por alguns segundos.

Quando viu um dos homens vindo agarrá-lo, já era tarde demais para correr.

Rebeca também foi cercada.

Em poucos movimentos, os homens a fecharam por todos os lados. Um deles torceu o braço de Vinícius para trás e já começou a empurrá-lo para dentro da van.

— O que vocês querem? Meu irmão ainda é estudante, ele não tem dinheiro para dar a vocês! Se tiverem algum problema, falem comigo. Esta rua tem câmeras...

Rebeca gritou, tentando avançar para impedir aqueles homens.

Mas ela também já estava encurralada, cercada por vários deles.

Rebeca ergueu os olhos.

E viu Bruno, de terno, segurando uma barra de ferro, derrubando dois homens em sequência.

A imagem era quase absurda.

Um homem impecavelmente vestido, brandindo um porrete no meio da rua, com uma violência meio insana.

Mas Rebeca não tinha tempo para pensar em nada disso.

Ela apontou para o lado de Vinícius.

— O Vinícius ainda está...

— Você sabe dirigir?

— Sei...

Bruno puxou Rebeca para trás de si.

Depois de correr alguns passos com ela, enfiou a chave do carro em sua mão e apontou para a frente.

O carro dele estava parado logo adiante.

Os homens que ele acabara de derrubar já se levantavam, segurando a nuca.

Ao ver que estavam prestes a alcançá-los, Bruno soltou a mão de Rebeca, empurrou-a para longe e voltou com a barra de ferro erguida, partindo para cima dos dois.

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