De onde Otávio tiraria alguma firmeza?
Ele assistiu à saída da secretária, mas não pôde dizer uma só palavra.
Wilson viu o sogro entrar, mas não se levantou para cumprimentá-lo como de costume. Ele ficou sentado em sua cadeira giratória preta, com a xícara do café feito por sua secretária na mão direita, bebendo lentamente.
— Wilson.
Otávio se sentou por conta própria.
Wilson abaixou a xícara de café, ergueu o olhar para o sogro e seus lábios se moveram. A voz estava levemente rouca quando perguntou: — Otávio, Cíntia voltou para a casa dos pais, não foi?
— Sim.
— Ontem ela levou o pessoal da Família Nunes até a cafeteria de Daniela para arrumar confusão mais uma vez.
Otávio silenciou por um instante e depois comentou: — A desavença entre ela e Daniela é insolúvel.
Wilson deu uma risadinha seca.
Na noite anterior, ele também não voltara para casa nem conseguira dormir direito. Fora ver sua secretária. E depois de curtir metade da noite com ela, passara muito tempo do lado de fora na varanda, fumando e refletindo.
Lembrou de quando Daniela e a mãe se mudaram para a casa da Família Vieira. Ele tinha gostado muito de Daniela, via-a genuinamente como uma irmã. A pequena Daniela era muito adorável, linda como uma boneca, e todos que a encontravam a amavam.
Como foi que depois disso ele passou a não gostar mais de Daniela e a odiar a madrasta?
Na noite passada, ele começou a se lembrar aos poucos: Cíntia vivia falando mal da madrasta na frente dele. Dizia que madrastas eram terríveis, tão perversas quanto a madrasta da Branca de Neve, e dizia para ele não se deixar enganar por aquela gentileza aparente.



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