Se isso tivesse acontecido no passado, e ela tivesse tossido daquele jeito, Wilson ficaria muito chateado por causa dela.
Neste momento, no entanto, Wilson não lhe deu um tapinha nas costas, muito menos voltou para o quarto para lhe buscar água. Ele apenas ficou ao lado dela, em silêncio, observando as lágrimas escorrerem de seus olhos enquanto tossia.
Quando finalmente parou de tossir, ela colocou a mão na boca e não parou de chorar.
O cigarro inacabado que ela estava segurando acabou sendo pego por Wilson. Ele encostou o cigarro no parapeito até apagá-lo e o jogou fora.
— Você nunca fumou e isso não faz o seu estilo. De agora em diante não precisa tentar imitar as outras pessoas.
Wilson disse com frieza.
— Já é muito tarde. Não chore mais ou isso acabará prejudicando o seu sono.
Cíntia continuou chorando. Ela se atirou nos braços dele e lamentou: — Wilson, você me detesta? Eu fui a vítima! O único motivo pelo qual eu fui procurar aqueles idiotas foi lidar com Daniela, visando ao nosso futuro.
Wilson estava prestes a empurrá-la e chegou a erguer a mão para isso, mas no fim das contas preferiu deixar quieto, sem retribuir o abraço. Com ambos os braços ao lado do corpo, limitou-se a deixar Cíntia apoiar a cabeça em seu peito enquanto reclamava chorosa.
— Eu não tinha ideia de que aqueles demônios iam fazer aquilo comigo, eu nunca teria procurado por eles se soubesse.
— Wilson, me desculpa! Eu deveria ter conversado com você primeiro em vez de tomar essa atitude sozinha. Mas tudo isso foi por você, por mim e pela nossa família.
— Wilson, nós dois crescemos juntos e você melhor do que ninguém sabe do meu caráter.
— Jamais iria ter uma relação de bom grado com aqueles homens! Eu não fui nada além de uma vítima!
Ela havia sido a vítima.

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