— Wilson, não pergunte isso. Saber demais não vai te fazer bem.
Cíntia virou o rosto para a janela e disse: — Perdi o bebê, e as duas irmãs Almeida não têm como se explicar. De qualquer forma, o meu aborto foi culpa delas.
— Não importa quem atacou primeiro, eu sofri o aborto, perdi um filho e elas têm responsabilidade nisso. A minha família não vai aceitar um acordo tão fácil.
— Quando o seu pai procurar os meus pais para conversar, pedirei uma compensação. Você deve ganhar uma parte das ações do Grupo Vieira e mais autonomia. Ele já tem idade, pode se afastar e ir se aposentando.
Cíntia sabia que o que Wilson queria era herdar tudo da Família Vieira, e ela também queria o mesmo. Antes de saber da traição do sogro, o casal já considerava tudo da Família Vieira como se fosse deles.
Com a chegada de Giovana Almeida e seu filho, vendo que a herança prestes a cair em suas mãos seria dividida, Cíntia ficou muito ansiosa, e Wilson também estava furioso.
Ela havia cometido um grande erro. Se quisesse que Wilson a perdoasse e que os dois voltassem a ser como antes, precisaria ajudá-lo e mostrar que ela e a Família Veloso eram seu pilar.
Ela podia ajudá-lo.
Wilson segurou a mão dela e disse, com pena: — Cíntia, deve ter sido difícil para você.
Ela apanhou, sofreu um aborto e o corpo foi ferido novamente. Wilson sentia pena dela. Ter traído não significava que ele não nutrisse mais sentimentos por ela.
Ela não o traiu porque quis; foi vítima de uma armadilha. Já a traição dele foi por iniciativa própria. No fim, quem estava em falta era ele.
— Somos marido e mulher, somos um só. Se um vence, o outro vence. Se um cai, o outro cai. Com certeza estarei do seu lado.

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